
Michelle Ramalho é a única mulher no novo corpo de vice-presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Aos 43 anos, ela integra a chapa de Samir Xaud, candidato único e eleito neste domingo. Antes, a presidente da Federação Paraibana de Futebol chegou a ser cogitada para ser a própria candidata.
Não somente ela. Alguns mandatários de federações já mantinham um grupo paralelo de discussões, diante da instabilidade da presidência de Ednaldo Rodrigues. O ex-presidente havia sido afastado em 2023 e, até janeiro, corria risco, em processo que corria no Supremo Tribunal Federal (STF), com Gilmar Mendes.
Entenda
O acordo que o manteve foi anulado. Quando isso aconteceu, este grupo de lideranças estaduais já estava pronto para discutir possíveis sucessores. Além de Xaud e Michelle, os presidentes das federações de Alagoas e Pará, Felipe Feijó e Ricardo Paul, respectivamente, foram outras possibilidades.
Na Paraíba, Michelle Ramalho já foi auditora do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Ela chegou à prpesidência da Federação Paraibana em 2018.
Na época, a dirigente derrotou o ex-diretor executivo da entidade, Eduardo Araújo. O adversário tinha apoio de outra mulher: Rosilene Gomes, cartola histórica na Paraíba que comandou a instituição de 1989 a 2014.
A eleição foi tão acirrada que demandou duas votações. A primeira terminou empatada. A definitiva foi vencida por Michelle por 26 votos, contra 24.
Michelle, antes mesmo de estar na CBF, já era um player político. A advogada, que também integra o Conselho Federal da OAB, é assídua em eventos internacionais de cartolas e não raro posa ao lado de Gianni Infantino, presidente da Fifa.
Durante a Copa do Mundo Feminina em 2019, Michelle conseguiu Infantino enviasse, em português, os parabéns para o Nacional de Pombal (hoje Pombal Esporte Clube), no aniversário da agremiação.
A seleção feminina é ambiente de forte presença de Michelle. No Mundial de 2019, foi ela a chefe de delegação, assim como na campanha da Olimpíada de Paris, em 2024, quando o time conquistou a medalha de prata. Antes mesmo de assumir a Federação Paraibana, a advogada já havia chefiado o grupo em amistosos, ainda em 2017, na Austrália.
Michelle pode ter ‘reeleições ilimitadas’ na Paraíba e tem desafio de alavancar futebol local
O corpo de presidentes da Federação Paraibana de Futebol é composto por, neste caso, uma presidente e três vices. Em dezembro de 2024, foi aprovada uma mudança no estatuto que prevê a possibilidade de reeleições ilimitadas. A alteração foi protocolada em 13 maio de 2025.
Assim, Michelle Ramalho pode continuar no comando da federação estadual por tempo indeterminado, enquanto também ocupa a vice-presidência da CBF. A mudança seguiu uma diretriz da própria confederação, mas ainda da gestão de Ednaldo Rodrigues.
Na Paraíba, uma das críticas que a gestão local sofre é justamente a continuidade da presidente. Também há questionamentos sobre a transparência das eleições internas.
Um desafio que a mandatária ainda tem é elevar o futebol paraibano no nível nacional. Atualmente, o principal clube do Estado é o Botafogo, eliminado pelo Flamengo na terceira fase da Copa do Brasil na última semana e participante da Série C em 2025.
No ano passado, a equipe liderou a primeira fase da terceira divisão, mas foi mal nos grupos que definiam os participantes do mata-mata final e decisivo para o acesso. O time joga a Série C de maneira consecutiva desde 2014.
Outras forças do futebol paraibano são Treze e Campinense, ambos de Campina Grande. O primeiro é considerado campeão do Torneio Paralelo de 1986, espécie de Série B da época, mas divide o título com Central, Inter de Limeira e Criciúma.
O Campinense é o segundo clube paraibano com mais títulos estaduais. São 22, oito a menos que os 30 do Botafogo e cinco a mais que os 17 do Treze. A equipe ainda tem uma Copa do Nordeste, vencida em 2013.
Recentemente, o Sousa, que carrega o nome da cidade do sertão paraibano, ganhou destaque por eliminar o Cruzeiro na Copa do Brasil de 2024. A equipe é atual bicampeã Estadual e soma, ao todo, quatro títulos do Paraibano (1994, 2009, 2024 e 2025).
(Fonte: Estadão).



