
Pesquisadora liderou escavações no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que comprovaram e mudaram o entendimento sobre a presença humana nas Américas.
A arqueóloga liderou escavações no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que comprovaram e mudaram o entendimento sobre a presença humana nas Américas.
Era pesquisadora, foi professora universitária e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, grande oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico.
Segundo informações confirmadas pela diretora do Parque Nacional da Serra da Capivara, Marian Rodrigues, Niède morreu na madrugada de quarta-feira (4), em São Raimundo Nonato, a arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon, vítima de um infarto.
“Ela estava razoavelmente bem. Pela idade, tinha dificuldades, estava com a memória recente já um pouco esquecida, mas a saúde estava bem. Ontem [terça-feira] ela apresentou incômodo leve durante o dia, sentindo um aperto no peito, na garganta. Mas à tarde teve a reunião de sempre. Tomou um remédio para passar aquele incômodo e foi dormir”, contou Marian Rodrigues.
“Na madrugada, ela se sentiu mal e foi muito rápido. Se sentiu mal e já parou. Quis levantar e não conseguiu, aí já encantou, ancestralizou”, completou a diretora.
Niède liderou escavações no Parque Nacional da Serra da Capivara que comprovaram e mudaram o entendimento sobre a presença humana nas Américas. Era pesquisadora, foi professora universitária, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e grande oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico.
Fundou o Museu do Homem Americano e foi a grande responsável por transformar a região da Serra da Capivara em um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo. Foi bastante influente na preservação do patrimônio cultural e natural do Brasil.
Quem foi a arqueóloga Niède Guidon

Niède nasceu em 12 de março de 1933, em Jaú (SP), filha de pai francês e mãe brasileira. Ela se formou em história pela Universidade de São Paulo (USP) em 1959. Ela foi para a França lecionar e voltou ao Brasil em 1970, quando conheceu as pinturas rupestres de Coronel José Dias, no Sul do Piauí.
A pesquisadora encontrou desenhos datados de até quase 30 mil anos e obteve o doutorado em pré-história pela Universidade de Paris em 1975.
Niède Guidon, a arqueóloga que revolucionou a história do “homem americano” e cujo trabalho levou a Unesco a declarar a Serra da Capivara como patrimônio cultural da humanidade.
Criação da Serra da Capivara

Em 1978, as pesquisas dela despertaram o interesse de biólogos e paleontólogos de todo o mundo, o que resultou na missão franco-brasileira. O objetivo da missão era estudar a pré-história, o meio ambiente e a sociedade do “berço do homem americano”.
No ano seguinte, em 1979, o Parque Nacional da Serra da Capivara foi criado. A Fundação do Homem Americano surgiu logo depois, em 1980, para facilitar e financiar as pesquisas na região.
O trabalho de Niède revelou mais de 800 sítios pré-históricos, com pinturas rupestres, ferramentas e outros vestígios dos primeiros habitantes humanos da América, descobertos em escavações arqueológicas.
As escavações foram realizadas principalmente em abrigos rochosos naturais com muitas pinturas rupestres.

Graças às descobertas da arqueóloga, a Unesco reconheceu o Parque Nacional da Serra da Capivara como patrimônio cultural da humanidade em 1991.
Reconhecimento e homenagens
A importância do trabalho de Niède foi reconhecida por todo o mundo, e ela recebeu homenagens de todo tipo: desde documentários aos nomes de um pássaro e uma ópera.
O documentário que narra a trajetória da pesquisadora e da Serra da Capivara estreou em 2019, na Pedra Furada, em Coronel José Dias, que compreende parte do parque em seu território.
Em 2020, Niède tomou posse na cadeira de número 24 na Academia Piauiense de Letras (APL), em uma solenidade virtual por conta da pandemia de Covid-19.
A arqueóloga também foi o tema central de um espetáculo da Ópera da Serra da Capivara. A apresentação retratou diversos momentos da vida da arqueóloga, da infância a fase adulta.
Ela foi homenageada, em 2024, com o nome da ave Sakesphoroides niedeguidonae, uma nova espécie catalogada e que vive no entorno do parque.
No mesmo ano, Niède recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Piauí (UFPI), pelos seus mais de 50 anos de trabalho à frente das pesquisas arqueológicas no estado.

*Com informações de G1



