
Nesta terça-feira (05), profissionais da área da cultura da Bahia divulgaram um manifesto de repúdio à política pública cultural conduzida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O documento consta de várias assinaturas, incluindo cineastas, jornalistas, produtores, escritores, técnicos, etc. Confira abaixo:
Nós, profissionais da cultura da Bahia – artistas, produtores, técnicos, mestres da cultura popular, gestores, pesquisadores, educadores e agentes dos diversos segmentos que compõem o fazer cultural do nosso Estado – tornamos público nosso mais profundo repúdio à política pública cultural conduzida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. É lamentável que um estado como a Bahia – matriz da cultura brasileira, berço de uma das mais vigorosas expressões artísticas da América Latina – não disponha de dotação orçamentária própria e estruturada para seu campo cultural. A atual gestão tem se apoiado quase exclusivamente em recursos de editais vinculados a leis emergenciais, criadas com o objetivo de mitigar os impactos da pandemia e não para substituir uma política cultural de Estado. A produção artística não pode estar subordinada à lógica fragmentada e imediatista de interesses partidários na gestão pública. Qual o projeto cultural do Estado da Bahia?
A cultura exige continuidade, investimento constante, planejamento, escuta ativa e compromisso com a diversidade da produção cultural baiana. A insatisfação com a descontinuidade das ações culturais se manifesta em todos os segmentos do fazer artístico. Nos últimos dez anos, segundo dados do Observatório de Economia Criativa da Bahia (OBEC), o Estado reduziu sistematicamente seu investimento no setor. Trata-se de um desmonte progressivo que compromete não apenas a realização de projetos, mas a própria sustentabilidade econômica da cultura baiana. Reivindicamos uma Secretaria de Cultura que compreenda a complexidade e a amplitude da cultura na Bahia, que conheça de fato a dinâmica de suas linguagens, territórios e tradições. Precisamos de uma escuta institucionalizada, continuada e comprometida com todos os profissionais da área – sem distinção ou favorecimentos. A sistemática negação de diálogo, a falta de transparência e a ausência de critérios claros nos processos seletivos revelam o desinteresse da atual gestão em construir uma política pública séria, estável e sustentável para o setor. Esse contexto de exclusão e apagamento jamais promoverá o desenvolvimento de uma economia criativa sólida ou justa para a Bahia.
Demandamos:
- Uma política pública de Estado para a cultura, com linhas de apoio para os diferentes segmentos culturais;
- A previsão de recursos próprios no orçamento estadual para as diversas linhas;
- Publicação de parâmetros claros, transparentes e democráticos para a inscrição e seleção dos projetos;
- A realização periódica e calendarizada dos processos seletivos;
- Garantia de continuidade para os projetos culturais como princípio fundamental de qualquer política pública.
- A lei Nº 13193 DE 13/11/2014, publicado no DOE – BA em 14 novembro de 2014, na gestão do Governador Wagner e do Secretário de Cultura, Albino Rubin que cria o Plano Estadual de Cultura da Bahia está até hoje à espera de regularização.
A existência de uma lei que sirva de eixo tanto para os fazedores de cultura como para os gestores públicos é fundamental, demandamos sua regularização.
- A escolha de cargos são prerrogativas do governo, contudo se faz necessário que a escolha dos gestores públicos seja fundamentada no conhecimento, experiência, credibilidade na área e representativos de diferentes perspectivas e backgrounds.
- A arte é sempre uma expressão de um tempo. Cabe ao poder público criar as condições para que as expressões culturais se desenvolvam, registrem o momento histórico e criem memória.
O papel da Secretaria de Cultura da Bahia – estado fundador da nação – é o de reunir, estimular e promover as múltiplas manifestações culturais da nossa rica e múltipla identidade nacional.
Nosso papel, como fazedores da cultura, é demandar uma política pública de Estado para a cultura e resistir à lógica excludente, fragmentada e binária que insiste em tratar a cultura como evento, e não como o legitimo direito de expressar a complexa diversidade de perspectivas que constitui a cultura da Bahia.
Seguiremos mobilizados, vigilantes e ativos, exigindo respeito, transparência e compromisso com a cultura baiana.
Salvador, 27 de junho de 2025.
[Assinaturas de coletivos, fóruns, entidades, grupos e profissionais da cultura]
- José Walter Lima – cineasta e artista visual
- Edyala Yglesias – cineasta
- Antonio Olavo – cineasta
- José Umberto Dias – cineasta
- Albenísio Fonseca – poeta / compositor /jornalista
- Zivé Guidice – artista visual
- Almandrade – artista visual
- Dicinho – artista visual
- Jackson Costa – ator
- Vitor Rocha – cineasta / produtor
- Tuzé de Abreu – cantor / compositor
- Bernard Attal – cineasta /produtor
- Dimitri Ganzelevitch – produtor cultural
- Lula Oliveira – cineasta
- Henrique Dantas – cineasta
- Julio Góes – ator / cineasta
- Guache Marques – artista visual
- Raimundo Bujão – produtor cultural
- Bertrand Duarte – ator / produtor cultural
- Sofia Federico – cineasta
- Joel de Almeida – cineasta
- Pedro Semanovsky – diretor de fotografia
- Marcello Benedictis – produtor / técnico de som
- José Carlos Torres – diretor de fotografia
- Roberto Torres – escritor / roteirista
- Maurício Xavier – produtor
- Eduardo Ayrosa – produtor / sound designer
- Albeniso José de Andrade Fonseca
- Nunno Pena
- João Matos
- Marco Aurélio Alemar de Souza
- Isaac Donato – Cineasta
- Andressa Rodrigues – Montadora
- Julival Araújo Góes
- Vítor Rocha
- Graça Maria da Silva Meurranhy
- Gilberto Lopes Reis
- Sergio Almeida
- Ducca Rios
- Dominique Silva Faislon
- Eder Long
- YULOCEZZAR (Alberico Mandarino Barreto)
- Luís Parras – diretor de arte
- Susan Kalk – roteirista e diretora
- Julia Ferreira
- Jessica Menezes de Oliveira
- Maria Dolores Bastos Laborda
- Fabiola Aquino Coelho
- Isa Maria Faria Trigo
- Adler Fernandes da Paz
- Débora Medeiros
- Demian Moreira Reis
- Thais Brito
- Marcello Benedictis de Campos Neto
- Hildebrando Rodrigues
- Rosália Junqueira Aguiar Rodrigues
- Nadir Oliveira Galrão Leite
- Luca V V Domingues
- André Castro
- Aicha Pinheiro Marques
- Gabriel Lake
- Monique Monteiro Almeida
- Ana Paula Moura da Fonseca
- Mirella Matos Sales
- Manoel Messias Oliveira Silva
- Bertrand Duarte
- Tiago Britto
- Giltanei Amorim
- Carlei Gomes Daltro
- Fernanda Silva dos Santos
- Rita Celeste Neres de Azevedo
- Nislene Nascimento de Brito
- Kaika Alves
- Joselice Alves Nascimento
- Ju Alencar
- Joseane Batista da Silva Alves
- Plínio Alves da Silva dos Santos
- Luiz Alberto Ribeiro Freire
- João Perene
- Aurélio dos Santos Filho
- Afa Neto
- Rita Assemany
- Josias de Jesus Santos
- Flávio Fernando Ferreira Lopes
- Monica Millet
- Raimundo Laranjeira – artista visual
- Gabriel Silva Lake
- Francisca Alice carelli
- Chico Mazzoni
- Iara Normando Tude
- Pedro Cesar Dorea Luz
- Jorge Douglas Reis de Almeida
- Célia Maria Baldas Mallett
- Orlando Sacramento Valle
- José Wanderley Meira Filho
- Ana Aragão
- Vinícius Rodrigues ACAMB
- Joelma Neves Evangelista
- Deli Abade de Oliveira Neto
- Evelin Buchegger
- Ângela Maria da Cruz Santos
- Jonathan Monteiro Bernardo
- José Mendes dos Santos Júnior
- Gilton Pinheiro Della Cella
- João Pinheiro de Matos
- Gilberto Almeida Filho
- Jeferson Cavalcante
- Valney jose silva dos santos
- Josemar Nunes
- Celia Mares
- Antônio Cesar Rodrigues Brandão
- Manoel Passos Rocha Pereira
- Janahina dos Santos Cavalcante
- Jorge Luiz Bezerra Nóvoa
- Johny Guimarães da Silva
- Og Cerqueira
- Priscilla Andreata
- Dani Floquet
- Irema Santos Silva
- Marcus Guellwaar – poeta e escritor
- Graça Leal – historiadora



