
O New York Times publicou neste sábado (3) um editorial criticando duramente o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e classificando a ação do governo do presidente Donald Trump como ilegal. Segundo o jornal, o país sul-americano tornou-se o primeiro alvo da nova doutrina de segurança da Casa Branca para a América Latina.
“O que representa uma abordagem perigosa e ilegal para o papel dos EUA no mundo”, afirma o texto assinado pelo Conselho Editorial do jornal, ao apontar que a Venezuela estaria sendo submetida a uma forma de “imperialismo moderno”.
O editorial rejeita o argumento apresentado por Trump de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro comandaria um cartel de drogas. Para o jornal, a alegação “é particularmente ridícula”, já que a Venezuela não figura como produtora relevante de fentanil ou de outras drogas associadas ao tráfico internacional.
O NYT também criticou o fato de Trump ter concedido indulto ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado por narcotráfico, ao mesmo tempo em que justificava ações militares contra a Venezuela sob o pretexto de combate ao crime organizado.
Segundo o jornal, a explicação mais plausível para a ofensiva está na recente Estratégia de Segurança Nacional divulgada pela Casa Branca, que reivindica o direito dos Estados Unidos de “dominar a América Latina”, em um movimento interpretado como resposta à influência chinesa na região.
O editorial alerta ainda que a ação americana ocorreu “sem qualquer aparência de legitimidade internacional” e pode abrir precedente para que países como China e Rússia adotem medidas semelhantes contra vizinhos. O jornal destaca que Trump precisaria de autorização do Congresso para a operação e que, sem essa aprovação, a ação viola a legislação dos Estados Unidos.
Trump afirmou neste sábado que não necessitava de aval do Congresso por se tratar apenas da prisão de duas pessoas, e não de uma invasão tradicional. O New York Times rebateu o argumento e advertiu que tentativas de derrubar regimes estrangeiros costumam agravar crises, citando os exemplos do Afeganistão, Líbia e Iraque.
Para o jornal, há alto risco de caos na Venezuela mesmo após a captura de Maduro. “Os generais que sustentaram seu regime não desaparecerão repentinamente”, afirma o texto, que conclui que a ofensiva pode ampliar o sofrimento da população venezuelana, aumentar a instabilidade regional e causar danos duradouros aos interesses dos Estados Unidos no cenário internacional.



