
A perda de produtos armazenados em câmaras refrigeradas costuma ser associada a panes elétricas ou falhas pontuais de equipamentos. No entanto, boa parte dos prejuízos registrados tem origem bem antes disso: no planejamento inadequado das estruturas e na forma como elas são utilizadas no dia a dia. São erros menos visíveis, mas capazes de custar milhares de reais ao longo do tempo.
Mesmo com sistemas de refrigeração funcionando, mercadorias acabam descartadas por alterações de temperatura, umidade fora do padrão ou contaminações cruzadas. Esses problemas, muitas vezes, não aparecem de forma imediata, o que dificulta a identificação da causa e prolonga o impacto financeiro. Elementos considerados secundários, como a escolha inadequada de uma fechadura de câmara fria, também podem influenciar diretamente o controle de acesso e a estabilidade térmica do ambiente.
Dimensionamento incorreto compromete a conservação
Um dos equívocos mais comuns está no dimensionamento da câmara refrigerada. Espaços menores do que a demanda real tendem a operar constantemente no limite, dificultando a circulação adequada do ar frio. Já estruturas superdimensionadas podem apresentar zonas com variação térmica, afetando a conservação dos produtos.
Quando o volume armazenado não corresponde ao projeto da câmara, a temperatura interna deixa de ser homogênea. Esse desbalanceamento favorece a deterioração gradual das mercadorias, que muitas vezes só é percebida quando o produto chega ao ponto de venda ou uso final.
Organização interna e fluxo de acesso fazem diferença
Outro fator pouco discutido é a organização interna da câmara. O empilhamento inadequado, a obstrução de saídas de ar e a mistura de produtos com necessidades térmicas distintas criam um ambiente instável. A abertura frequente das portas, sem controle de tempo ou fluxo, também interfere diretamente na manutenção da temperatura.
Em operações com alta rotatividade, a falta de procedimentos claros para entrada e saída de mercadorias agrava o problema. Cada variação térmica, ainda que breve, contribui para reduzir a vida útil dos produtos, especialmente os mais sensíveis.
Falta de monitoramento contínuo amplia prejuízos
A ausência de monitoramento constante é outro erro recorrente. Muitas empresas ainda dependem de verificações manuais esporádicas, o que dificulta a identificação de oscilações fora do padrão. Quando o problema é percebido, o dano já pode estar consolidado.
Sem registros históricos de temperatura e umidade, também se torna mais difícil rastrear falhas e corrigir processos. O resultado é a repetição de perdas que poderiam ser evitadas com acompanhamento mais rigoroso e respostas mais rápidas a desvios.
Manutenção preventiva é frequentemente negligenciada
Mesmo câmaras bem projetadas podem gerar prejuízos quando a manutenção preventiva é deixada de lado. Componentes desgastados, vedação comprometida e sensores descalibrados afetam o desempenho do sistema sem necessariamente provocar uma falha imediata.
Esse tipo de desgaste progressivo cria uma falsa sensação de normalidade, enquanto os produtos armazenados sofrem impactos silenciosos. Quando a falha se torna evidente, o volume de perdas acumuladas costuma ser significativo.
Planejamento evita desperdício e retrabalho
Os erros que levam à perda de produtos em câmaras refrigeradas raramente estão ligados a um único fator. Na maioria dos casos, são resultado da soma de decisões equivocadas, falta de padronização e ausência de controle contínuo. O impacto financeiro dessas falhas vai além do descarte de mercadorias, afetando prazos, contratos e a confiança de parceiros comerciais.
Ao olhar para o armazenamento como parte estratégica da operação, empresas conseguem reduzir desperdícios e tornar os processos mais previsíveis. Investir em planejamento, organização e acompanhamento não elimina todos os riscos, mas diminui consideravelmente as perdas que, hoje, seguem ocorrendo longe dos olhos — e pesando no caixa.



