
Profissionais terceirizados da Universidade Federal da Bahia (Ufba) fazem uma paralisação, nesta terça-feira (10), pela falta de pagamento dos salários de janeiro. De acordo com o Sindicato dos Terceirizados, dos Trabalhadores da Limpeza Urbana e do Asseio e Conservação de Salvador (Siemaco), a situação afeta cerca de 600 agentes de portaria e recepção em Salvador, mas o número pode passar de mil, com os que atuam nos campi do interior do estado.
Eles são contratados pela empresa JSP Serviços e Terceirização de Mão de Obra, que tem sede em Recife (PE). O salário deveria ter caído na conta na última sexta-feira (6), que correspondeu ao quinto dia útil do mês. “A alegação da empresa é de que a Ufba não pagou a fatura. Mas os trabalhadores não têm culpa”, diz o presidente da entidade, Maurício Roxo.
“A empresa alega que a Ufba está há quatro ou cinco faturas sem fazer o repasse e que, por isso, não tem como cumprir suas obrigações. Mas isso não importa, porque, quando a empresa entra no contrato, ela tem que ser responsável pelo contrato”, acrescenta Roxo.
Ele estima que cerca de 60% a 70% dos agentes tenham feito a paralisação hoje, enquanto um grupo aguarda na portaria do campus de Ondina. Segundo o presidente do sindicato, eles esperam algum retorno da Pró-Reitoria de Administração (Proad). “Os trabalhadores estão reivindicando pelo que já trabalharam. Ninguém está pedindo um favor. O serviço foi prestado, mas, quando chega no momento de pagar, vem essa falta de respeito”.
A Ufba foi procurada, assim como a empresa JSP. A reportagem será atualizada com o posicionamento das partes e o espaço segue aberto para manifestação.
Limpeza
Em janeiro, outros profissionais terceirizados da Ufba se viram em meio ao fim de um contrato conturbado. Cerca de 400 trabalhadores terceirizados dos serviços de limpeza e manutenção foram demitidos da empresa Liderança Limpeza e Conservação Ltda, após um período que envolveu até denúncias de assédio moral.
Na ocasião, foi firmado um acordo entre as partes para que os funcionários recebessem apenas 20% da multa do FGTS, embora a solicitação inicial fosse que todas as obrigações trabalhistas fossem pagas. O contrato da Ufba com a empresa que assumiu em janeiro previa a contratação dos terceirizados da Liderança sem descontinuidade da prestação dos serviços. Para a instituição, isso evitaria a perda da memória técnica e expertise da execução do trabalho.
No entanto, inicialmente, a Liderança teria dito que não demitiria os trabalhadores e que os absorveria em outros contratos. “Disseram que caso alguém não quisesse fazer parte, teria que pedir demissão ou fazer transferências consideradas absurdas, como postos muito distantes de suas residências ou até para outros municípios. Mas os trabalhadores queriam ser demitidos para serem incorporados pela nova empresa”, explicou o presidente do Siemaco, Maurício Roxo, na época.
Em dezembro, a Ufba divulgou que havia notificado a Liderança por ter descumprido acordos firmados em contrato e disse estar havendo uma substituição “intempestiva” dos funcionários. “O clima é ruim, havendo relatos de que a Liderança estaria coagindo funcionários a pedirem demissão para evitar o pagamento de verbas rescisórias”, informou a universidade, na ocasião. Segundo Roxo, cerca de 90% dos funcionários assinaram o acordo e foram absorvidos pela nova empresa, chamada Jutze.
Fonte: Correio



