Todos os anos, milhões de brasileiros esbarram na malha fina. Em 2025, a Receita Federal reteve 3.971.267 declarações do Imposto de Renda (IRPF 2025), o equivalente a 8,7% do total entregue. O dado considera o período de 17 de março a 23 de setembro de 2025, em todo o país, após o cruzamento automático das informações.
O recado é direto: o sistema não “deixa passar”. Ele compara dados de empresas, bancos, planos de saúde e fontes pagadoras. Por isso, pequenos deslizes viram pendência.
Por que a malha fina pega tanta gente
A maioria das retenções nasce de erros simples. Às vezes, é um número digitado diferente do informe. Em outros casos, é uma renda esquecida.
Para Flávio Augusto Sampaio Menezes, contador e gerente de controladoria da Multimarcas Consórcios, o problema costuma ser subestimado. “Muitas vezes o contribuinte acredita que pequenos valores não farão a diferença, mas o sistema da Receita é automatizado e cruza dados em tempo real”, afirma.
Despesas médicas: o campeão de retenções
Em 2025, o principal motivo de malha fina veio das deduções de despesas médicas, com 32,6% das retenções, segundo a Receita.
O alerta aqui é clássico, mas continua atual: despesa médica não tem teto de dedução. Portanto, ela chama atenção.
Segundo Menezes, “as despesas médicas costumam chamar a atenção porque não têm limite de dedução. Sem comprovante idôneo, o risco de cair na malha fina é praticamente certo”.
O que mais derruba:
- lançar valor maior do que pagou;
- incluir gasto não dedutível;
- não guardar recibos e notas.
Omissão de rendimentos: salário, aluguel e dependente
O segundo motivo aparece logo atrás: omissão de rendimentos, com 30,8% das retenções.
Aqui entram salários, freelas, aluguéis, aposentadorias, pensões e, principalmente, rendimentos de dependentes. Além disso, o cruzamento com fontes pagadoras costuma flagrar a diferença sem demora.
Informe de rendimentos: um centavo pode virar dor de cabeça
Muita gente erra no “básico”: copia o valor errado do informe de rendimentos. Às vezes, troca campo. Às vezes, arredonda.
Mesmo assim, o sistema percebe. Então, a regra é simples: digite igual ao informe, inclusive centavos.
Dependentes: o erro que vira disputa
Dependente duplicado ainda derruba declaração. Isso ocorre muito em famílias separadas. Um declara, o outro também declara.
Além disso, quem inclui dependente precisa declarar também os rendimentos dele, quando existirem. Caso contrário, surge divergência.
Pensão alimentícia: só vale com respaldo legal
A Receita aceita dedução de pensão alimentícia quando existe decisão judicial ou acordo homologado. Pagamento informal não entra.
Segundo Menezes, “é preciso respaldo legal para evitar questionamentos”. Em resumo: sem documento, o risco sobe.
Investimentos e Bolsa: o ponto cego do contribuinte
Ganhos com ações, FIIs e cripto exigem atenção. O contribuinte, porém, costuma esquecer lucro, prejuízo e imposto devido.
Em 2025, a Receita apontou 15,1% das retenções por diferença entre valores declarados e os informados pelas fontes pagadoras.
Esse grupo inclui divergências típicas de informes, IRRF e rendimentos informados na fonte.
Ganho de capital na venda de imóvel ou veículo
Vendeu bem com lucro? Então apure ganho de capital e pague o imposto, quando houver.
Se você ignora essa etapa, a Receita costuma cobrar depois, com multa e juros.
Checklist rápido para reduzir risco no IR 2026
Separe informes e recibos por categoria, mês a mês.
Compare cada valor com o informe, sem arredondar.
Revise rendas do titular e de dependentes.
Confira despesas médicas com comprovante válido.
Valide pensão apenas com decisão judicial ou acordo homologado.
Organize operações de Bolsa e eventuais DARFs.
Com isso, você melhora a chance de passar “limpo” no primeiro processamento.
Fonte: BPMoney



