
O senador Jaques Wagner (PT) ofereceu, em duas ocasiões, a vaga de primeira suplência ao Senado à deputada federal e presidente do PSB na Bahia, Lídice da Mata. A primeira proposta foi feita ainda em 2025, em meados do ano, e recusada de imediato pela ex-prefeita de Salvador. A segunda sondagem ocorreu já em 2026 e também recebeu resposta negativa da parlamentar.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o convite a Lídice teria como pano de fundo facilitar o cenário eleitoral do deputado estadual Vitor Bonfim (PSB), que deve disputar uma vaga na Câmara Federal neste ano. Bonfim é considerado “queridinho” do PT e costuma ser escalado como relator de projetos sensíveis na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Ele é filho do ex-deputado e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), João Bonfim.
A eventual aceitação da suplência por Lídice manteria o PSB no mesmo patamar na chapa, já que o atual primeiro suplente de Wagner é o ex-vice-prefeito de Ilhéus, Bebeto Galvão. Em um almoço recente com o presidente nacional do PSB, o prefeito do Recife, João Campos, Bebeto disparou uma série de críticas ao senador petista, reclamando de nunca ter assumido a titularidade do mandato, mesmo que por um dia. Segundo relatos, ele teria dito que “amargou oito anos” na suplência.
As insatisfações no PSB, no entanto, vão além da relação com Wagner. Recentemente, João Campos teria se queixado a Lídice da atuação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, ex-governador da Bahia. Rui teria se aproximado da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e levado ao presidente Lula críticas feitas por ela à gestão de Campos no Recife.
Incomodado com o que classificou como “leva e traz” político, Campos chegou a ameaçar retirar Lídice do comando estadual do PSB, cogitando entregar a presidência da sigla na Bahia ao senador Angelo Coronel (PSD).
Nos últimos dias, porém, aliados indicam que a temperatura diminuiu e o cenário voltou a um patamar de cautelosa estabilidade.
Fonte: Se Ligue Bahia / Foto: Reprodução / Bnews



