
O assassinato da empresária Flávia Barros, de 38 anos, morta a tiros em um hotel na zona sul de Aracaju, ganha novos desdobramentos com o embate direto entre as versões da defesa do suspeito e a equipe jurídica que representa a família da vítima. O policial penal Tiago Sóstenes, ex-diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso (BA) e principal suspeito do crime, alega ter agido em legítima defesa, tese que vem sendo duramente rechaçada pela acusação.
Em entrevista concedida ao apresentador Luiz Carlos Focca, o advogado da família de Flávia não poupou críticas à narrativa apresentada pelo suspeito. “Num primeiro momento, ele alega, de forma pífia, uma espécie de legítima defesa contra Flávia, sem nenhum tipo de ancoragem”, declarou o criminalista.
Para confrontar a versão de Sóstenes e buscar a verdade real dos fatos, a defesa da vítima anunciou o uso de tecnologia avançada. Assim que o laudo pericial completo do Instituto Médico Legal (IML) for disponibilizado, a família arcará com a produção de uma animação gráfica computadorizada. O objetivo é simular, em detalhes, tudo o que ocorreu na cena do crime, cruzando os depoimentos com as evidências físicas, a posição do corpo e o tipo de lesão.
Dúvidas sobre a tentativa de suicídio
Outro ponto de forte questionamento por parte do advogado da vítima é a suposta tentativa de suicídio de Tiago Sóstenes logo após o feminicídio. O suspeito foi encontrado com um ferimento a bala na cabeça, sobreviveu e já recebeu alta médica, sendo transferido para o Presídio Militar de Sergipe (Presmil).
O representante da família de Flávia apontou a improbabilidade da narrativa, baseando-se no perfil técnico do suspeito. Segundo ele, causa estranheza que um operador de segurança pública altamente treinado, com mais de uma década de atuação, atire contra a própria cabeça e não venha a óbito. “É um operador claro da segurança pública, tem todo o conhecimento necessário. Muita coisa está por vir e ainda vai ser esclarecida”, afirmou o advogado, indicando que a perícia pode desmontar a versão de que o tiro na cabeça foi, de fato, uma tentativa de tirar a própria vida.
Transferência sob protestos
Enquanto a acusação se arma com recursos tecnológicos e laudos técnicos, a defesa de Tiago Sóstenes enfrenta a recente alta hospitalar do policial. A equipe jurídica do suspeito classificou a saída do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) como “abrupta”, alegando que o policial penal ainda abriga o projétil na região frontal da cabeça, sofre com episódios de náusea e perda parcial de audição. A defesa questiona se o Presmil possui a estrutura neurológica adequada para manter o custodiado, que, segundo os advogados, correria risco de morte.
O caso segue sob investigação rigorosa do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e o embate técnico entre as defesas promete ser o foco das próximas fases do inquérito.
Fonte: Portal Chico Sabe Tudo



