Em julgamento realizado nesta sexta-feira, a 5ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu o Vitória com multa de R$ 20 mil, por uma faixa estendida na arquibancada do Barradão antes do jogo contra o Coritiba, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Cabe recurso da decisão.
A faixa tinha a imagem de um árbitro de olhos cobertos com as mãos, escudos da CBF com rachaduras, e carregava a frase “respeite o Vitória!”. A manifestação foi registrada no primeiro jogo do clube em casa após críticas à arbitragem nas partidas contra Flamengo (Copa do Brasil) e Athletico-PR (Campeonato Brasileiro).

O Vitória foi enquadrado no artigo 191, inciso três, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que dispõe sobre “deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de regulamento”. O clube foi punido com multa de R$ 20 mil.
De acordo com o Subprocurador geral Dr. Ronald Siqueira Barbosa Filho, que sustentou a denúncia, a ação da torcida foi além do limite da liberdade de expressão porque afetou a credibilidade da CBF e do Campeonato Brasileiro.
– Me parece que a liberdade de expressão, embora seja ampla, não é absoluta. A partir do momento que existe uma faixa questionando a CBF, colocando o brasão rachado, árbitro com mãos nos olhos, como se não visse o que está acontecendo, me parece sensível, uma complexidade alta. Me parece aqui que existe um excesso. Não se trata de mera liberdade de expressão, mas existe aqui um ataque à credibilidade da competição – afirmou Dr. Ronald Siqueira Barbosa Filho.
Já o Vitória, ao se defender, citou casos de censura prévia e a constituição de 1988. O Rubro-Negro lembrou também que a ação partiu de torcedores, e não do clube. Os erros de arbitragem que deram origem ao protesto também foram citados pela defesa baiana.
– A torcida do Vitória confeccionou uma bandeira. Lembrando que foram torcedores. Eles usaram elementos simbólicos, o escudo do Vitória e da CBF. As críticas foram legítimas pelo que ocorreu em jogos recentes, quando o Vitória sofreu com erros da arbitragem. Erros comuns, mas que o torcedor tem o direito de protestar. Não houve violência nem atitudes discriminatórias.
ENTENDA A RECLAMAÇÃO
Os torcedores do Vitória ficaram na bronca com a arbitragem pela não expulsão de jogadores na partida contra o Flamengo, pela partida de ida da quinta fase da Copa do Brasil. Os rubro-negros de Salvador queriam o cartão vermelho para Luiz Araújo, que acertou Ramon, Saúl, em entrada dura em Caíque Gonçalves, além de Arrascaeta, que atingiu Ramon.
Na partida seguinte do Vitória, contra o Athletico-PR, os torcedores, jogadores, técnico e dirigentes do Leão se queixaram de três lances. No primeiro, o Rubro-Negro reclamou da marcação de um pênalti de Cacá, em Viveros, ainda na etapa inicial da partida (assista acima).
O Rubro-Negro também queria a expulsão do volante Luiz Gustavo, por acertar um chute em Zé Vitor aos sete minutos de jogo (assista abaixo). A equipe baiana afirma que o jogador do Furacão, que recebeu cartão amarelo pelo primeiro lance, deveria ter sido expulso em um segundo momento, por ter simulado uma falta e tocado com a mão na bola.
A segunda expulsão cobrada pelo Vitória é a do zagueiro Arthur Dias, por carrinho em Renê, aos 22 minutos da etapa final (assista abaixo). O jogador foi punido com cartão amarelo pelo árbitro Bruno Arleu de Araújo.
Após a partida, Erick afirmou, em entrevista, que o time foi “roubado de novo”, em referência ao jogo anterior contra o Flamengo. O atacante foi julgado pelo STJD e pegou dois jogos de suspensão pela declaração. Após recurso do Rubro-Negro, o gancho foi reduzido para uma partida.
Também em declaração depois da partida, o presidente Fábio Mota falou, dentre outras coisas, em “escândalo”. O dirigente foi punido com 30 dias de suspensão, posteriormente reduzidos para 15 dias.
Por Ge



