
Assim como em 2025, o arrocha é o gênero que domina as contratações do São João da Bahia em 2026. É o que revela o Painel da Transparência dos Festejos Juninos, divulgado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) na segunda-feira, 1º.
No ano passado, o ranking foi liderado pela banda Toque Dez, que fez 39 shows e vai faturou R$ 11,2 milhões. Agora, quem desponta no topo é Devinho Novaes, com 10 shows (R$ 3 milhões).
Das dez atrações mais contratadas em 2026, apenas quatro — Batista Lima, Desejo de Menina, Saia Rodada e Adelmário Coelho — são de forró. As outras seis são de arrocha.
Além de Devinho, a lista conta também com Netto Brito, com 10 shows ((R$ 2,6 milhões), Tayrone, com nove (R$ 3,3 milhões) e Pablo, com sete (R$ 4,9 milhões).
Veja o Top 10 e o faturamento:
- Devinho Novaes – 10 (R$ 3 milhões)
- Netto Brito – 10 (R$ 2,6 milhões)
- Tayrone – 9 (R$ 3,3 milhões)
- Thiago Aquino – 8 (R$ 2,3)
- Pablo – 7 (R$ 4,9 milhões)
- Batista Lima – 6 (R$ 1,5 milhões)
- Desejo de Menina – 6 (R$ 1,5 milhões)
- Saia Rodada – 6 (R$ 2,7 milhões)
- Toque Dez – 6 (R$ 2,6 milhões)
- Adelmario Coelho – 5 (R$ 1,5 milhões)
Devinho lidera, mas não supera Toque Dez
Apesar de liderar o ranking, Devinho não chegou nem perto dos números de Toque Dez no ano passado. Foram 39 apresentações e R$ 11,2 milhões embolsados. Devinho não alcançou nem a metade disso.
No entanto, é importante ressaltar que essas informações são as que constam no Painel da Transparência do MP-BA até agora.
Até a publicação deste texto, apenas 83 das 417 cidades baianas participaram do levantamento. O Painel da Transparência ainda será atualizado com novas informações.
Cenário que se repete desde 2024
Em 2024, o cenário foi parecido — porém mais equilibrado —, com Toque Dez em primeiro lugar, com 44 shows na Bahia e faturamento de R$ 7 milhões. Ou seja, a banda aumentou o lucro em R$ 4,2 milhões em um ano.
Devinho Novaes ficou em segundo, com 39 apresentações. Logo depois veio:
- Heitor Costa (34)
- Mastruz com Leite (29)
- Tayrone (29)
- Iguinho e Lulinha (28)
- Calcinha Preta (25)
- Tarcisio do Acordeon (24)
- Vitor Fernandes (23)
- Pablo (22)
Ou seja, cinco de arrocha e cinco de forró.
Desafio para o forró
O cantor Adelmário Coelho, um dos principais nomes do forró da história, foi questionado pelo portal A TARDE sobre o “domínio” do arrocha nas festas de junho e destacou que não tem “nada contra ninguém”.
De acordo com o cantor, os gêneros podem coexistir em harmonia no São João. “Não só o arrocha, o sertanejo, o pop e o rock também, eu acho que tudo se harmoniza bem”, afirmou Adelmário. Ele pontuou, porém, que se perguntar para as pessoas o que elas querem ouvir nessa época do ano, elas vão falar que é forró. “A resposta está na boca do povo”, afirmou.
O artista ressaltou, porém, que quem contrata tem a caneta e “quer ver uma repercussão de público dessa coisa toda, mas não pode esquecer essa realidade”.
Não tem problema em harmonizar, o problema é a dosagem. Você tem que ter 90% de forró, com o resto você atende à demanda das outras pessoas. É a forma que eu vejo. Nada contra ninguém, porque eu sei que todos estamos aí na batalha da vida.
Adelmário Coelho – cantor
O cantor confessou que não acredita que há uma desvalorização do gênero musical, mas sim, uma demanda de público voltada para artistas de outros segmentos, o que deve ser dosado pelos contratantes.
“Eu não acredito que seja esse o sentimento de desvalorização, e sim que o mercado tem uma dinâmica que às vezes induz um contratante a pensar naquele momento. Mas quem conduz a história, a cultura popular nordestina, por anos e anos, são os forrozeiros e as forrozeiras mesmo”, disse ele, que defende mudanças nas contratações das festas juninas.
Ele completou: “Todo gestor tem que ter o cuidado, a dosimetria adequada de colocar numa festa tradicionalmente de forró, como as festas juninas, seus legítimos representantes. Então, esse critério, por exemplo, o que leva a mais público? Esse argumento, evidentemente, que às vezes ele confronta com a valorização mesmo da nossa cultura”.
Fonte: A Tarde



