Todo ano o debate volta. Com a aproximação das festas juninas, uma pergunta divide opiniões nas redes e nos bastidores da música: o sertanejo tem lugar no São João, ou a festa deveria ser exclusiva do forró raiz? Simone Mendes, uma das maiores vozes do sertanejo brasileiro e filha da Bahia, tem uma resposta clara, e não foge da polêmica.
“Eu acredito que o São João é uma festa da música, da cultura e da alegria do povo. O forró tem uma importância gigantesca e merece todo respeito, porque é a raiz dessa festa. Mas eu também acredito que existe espaço para diferentes gêneros, desde que exista respeito pela tradição e pelo público”, afirmou em entrevista ao portal.
A declaração vem de uma artista que conhece bem os dois lados da conversa. Nascida em Uibaí, no interior da Bahia, Simone cresceu ouvindo forró e sertanejo dentro de casa, e hoje transita entre os dois mundos com naturalidade. Para ela, o respeito à raiz da festa é inegociável, mas a exclusão não é o caminho.
Além do posicionamento no debate, Simone deixou um recado direto para os fãs baianos: o São João de 2026 deve ter novidades. Sem entregar os detalhes, ela garantiu que algo está sendo construído.
“Já estamos fechando muitas coisas lindas para esse São João e, graças a Deus, a Bahia sempre me recebe com muito amor. Se preparem para muitos encontros especiais por aí”, afirma.
Na Bahia, o maior cachê registrado até o momento para o São João foi de uma dupla sertaneja: Zé Neto e Cristiano. Na sequência, estão as irmãs Maiara e Maraisa. Os dados são do Painel da Transparência dos Festejos Juninos, divulgado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).
Um projeto construído na memória afetiva
O posicionamento de Simone sobre o São João dialoga diretamente com o momento que ela vive na carreira. Recentemente, a cantora gravou o audiovisual Minhas Memórias, em São Paulo, ao lado de Chitãozinho & Xororó, Leonardo, Daniel, Bruno & Marrone e Luciano, sendo a única voz feminina em um encontro histórico do sertanejo.
O repertório desses artistas, ela conta, faz parte da sua própria história. Ao ser questionada sobre qual música mais a transportou para a infância em Uibaí, Simone não conseguiu escolher uma só:
“Difícil escolher uma, porque o repertório desses ninjas do sertanejo mexe muito comigo. Me trazem lembranças da minha infância, da minha família, das músicas tocando dentro de casa. Teve momentos em que eu precisei me segurar demais, mas, mesmo assim, as lágrimas vieram. Foi a realização de um grande sonho”.
É justamente essa memória afetiva, construída entre o forró da festa de rua e o sertanejo que tocava no rádio de casa, que faz de Simone uma voz legítima para falar sobre o debate. Para ela, os gêneros não precisam competir. Podem coexistir, desde que o respeito venha antes de tudo.
A mãe por trás da artista
Fora dos palcos, Simone divide o coração entre a estrada e os filhos Henry e Zaya. Ela admite que perder momentos da infância deles é a parte mais difícil da carreira:
“Essa talvez seja a parte mais difícil, mas eu procuro fazer com que o tempo que tenho com eles seja realmente de qualidade. Tento equilibrar as coisas da melhor forma possível, porque ser mãe é a parte mais importante da minha vida”.
E quando o assunto são as memórias que quer construir ao lado dos filhos, temática que dá nome ao novo projeto, a resposta revela quem Simone é fora dos holofotes:
“As memórias simples. Estar presente, brincar, viajar juntos, sentar para assistir desenho, almoçar em família… Quero que eles lembrem da mãe presente, carinhosa, que amava estar perto deles, além da artista que sobe no palco”.
Por Bianca Carneiro/ A Tarde



