
O Manifesto à Nação Brasileira pela Reparação ao Povo de Canudos foi lançado nesta sexta-feira (12), no Museu Eugênio Teixeira Leal, Pelourinho, em Salvador, em um dia histórico. Quinhentas personalidades de várias regiões do Brasil, e até de outros países, assinaram o Manifesto, incluindo escritores, pesquisadores, cineastas, professores, jornalistas, fotógrafos, acadêmicos e promotores culturais, dentre outras.
A cerimônia de lançamento, iniciada por volta das 15h, contou com
uma mesa formada por Eliene Dourado Bina (Diretora do Museu Eugênio Teixeira Leal), Professor Luiz Paulo Neiva (Diretor do Campus Avançado da Uneb/ Canudos), Antônio Olavo (Cineasta e diretor da Portfolium), Manoel Neto (Diretor do Centro de Estudos Euclides da Cunha – CEEC), Aleilton Fonseca (Presidente da Academia de Letras da Bahia – ALB), além da desembargadora Joanice Guimarães (do Tribunal de Justiça da Bahia).
Todos os componentes da mesa usaram da palavra e, pelo conteúdo, obrigaram os presentes a se manterem numa concentração
máxima. Como anfitriã, coube a Eliene Bina comandar a mesa. Ela destacou o trabalho sobre Canudos desenvolvido pelo mestre José Calazans, que tornou o museu conhecido internacionalmente. Na oportunidade, Eliene sugeriu que o Museu Eugênio Teixeira Leal passasse a ser chamado como “Casa de Canudos em Salvador”, o que foi apoiado por todos.
Professor Manoel Neto, inicialmente, fez uma menção à professora Luitgarde Cavalcanti (da UFRJ), lamentado a sua ausência por problemas de saúde. Ele lembrou também do pintor Trípoli
Gaudenzi, destacando os seus serviços prestados a Canudos. Depois, justificou a importância e necessidade do Manifesto para correção da própria história, definindo: “Esse Manifesto será uma fonte para os que vierem; ele representa um pensamento dos estudiosos de Canudos. Os heróis de Canudos são heróis do povo brasileiro, pois tiveram coragem para enfrentar os opressores”.
Na mesma linha, o cineasta Antônio Olavo, que fez uma leitura emocionada do Manifesto, justificou a importância do documento pela reparação ao povo de Canudos, lembrando, como parâmetro
e “jurisprudência”, que “os grandes proprietários de terras receberam vultosas somas do estado brasileiro” após a decretação da Lei Áurea. Olavo também aproveitou para discorrer um pouco sobre fatos e episódios cronológicos da história de Canudos para que não pairassem dúvidas sobre a importância da reparação já assinada por 500 signatários.
Na sua fala, o acadêmico Aleilton Fonseca declarou adesão total ao Manifesto, tanto sua quanto da ALB, destacando que “Canudos é o tema mais importante da nacionalidade brasileira”, e que “a sua população representa a síntese da formação do povo brasileiro de
raiz”. Aleilton considerou também que foi uma “invasão do Exército ao sertão” em relação à presença das suas tropas em Canudos. “A literatura brasileira precisa repensar e apagar certas palavras, trazer outras do nosso tempo, pois ali não foi uma guerra, foi um massacre”, concluiu.
Durante o seu depoimento, o professor Luiz Paulo Neiva anunciou uma série de proposições como políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da região de Canudos. Entre elas estão “a interligação maior entre os municípios do entorno e que fazem
parte da história de Canudos, a implantação de uma universidade federal, de museus e bibliotecas”, dentre outras ações que foram citadas.
Última a falar, a desembargadora Joanice Guimarães destacou a ação ajuizada pela Prefeitura de Canudos pela reparação, que corre na justiça federal da comarca de Juazeiro, Bahia. Segundo ela, “o processo já está na fase de conciliação para cálculo da indenização, mas serão ouvidos outros envolvidos, como o Exército”.
A interação do público também foi outro ponto a ser destacado durante o lançamento do Manifesto pela Reparação ao Povo de Canudos. Todos estavam atentos aos detalhes e se manifestando com aplausos e entusiasmo. Entre as personalidades que compareceram para manifestar apoio ao Manifesto, destacam-se o escritor Oleone Coelho Fontes, as professoras e pesquisadoras Maria de Lourdes Ornellas, Elane Geraldo, Lícia e Luciene, o militante do Movimento Negro Raimundo Bujão, o agente cultural Clarindo Silva, dentre outros.
No final do evento, foi servido um coquetel com chá, café e uma variedade de bolos.
Divulgação e histórico
O Manifesto nasceu do “GT Reparação”, um grupo de trabalho composto por Eliene Bina, Maria de Lourdes Ornellas, Luiz Paulo Neiva, Pedro Barboza, Manoel Neto, João Batista, Elane Geraldo e Antônio Olavo.
Uma versão impressa foi distribuída a todos que compareceram ao lançamento e depois foi enviada uma versão em PDF para o WhatsApp de cada signatário do documento. Para facilitar o acesso, os coordenadores também disponibilizaram um link do Instagram do Centro de Estudos Euclides da Cunha – CEEC.



