
Para a alegria do público que lotou a Arena Carioca 1, na manhã deste domingo (21), Rebeca Andrade voltou ao lugar mais alto do pódio da ginástica artística. Depois de uma pausa de quase dois anos para cuidar da mente e do corpo, a maior medalhista olímpica do Brasil venceu a final do salto no Pan do Rio, com média de 14.266, e conquistou o ouro em casa. O dia também contou com duas pratas de Diogo Soares, nas barras paralelas e na barra fixa, e quatro bronzes com Arthur Nory, Thais Fidelis, Sophia Weisberg e Vitaliy Guimarães.

– No segundo salto, eu pensei: ‘Meu Deus, não vai dar’ e, no meio, eu falei: ‘Não, vai dar, você vai ter que chegar’, e isso é muito o que a gente sente no dia a dia. Você chega lá no ginásio e fala: ‘Mano, eu não vou conseguir fazer hoje’ e você vê que consegue, sabe? Foi assim. Eu só fui com tudo e foi maravilhoso – contou Rebeca.
O primeiro salto da ginasta foi executado praticamente sem falhas, e valeu a nota mais alta da disputa: 14.433. Precisando da maior média entre duas tentativas, Rebeca acabou saindo um pouco da linha na chegada, na segunda chance, mas o resultado final não foi comprometido. Com a nota 13.700, a maior campeã do Brasil na ginástica voltou a subir ao lugar mais alto do pódio, com a média de 14.266, e conquistou a primeira medalha do país no salto em um Pan-Americano.

A canadense Lia Monica ficou com o segundo lugar, com a média de 14.249, seguida pela americana Claire Pease, que levou o bronze, com 13.916.
Durante as classificatórias, na última quarta-feira, Rebeca alcançou o maior resultado individual entre todos os aparelhos, ao disputar apenas o salto – prova em que tem duas medalhas olímpicas, um ouro (Tóquio 2020) e uma prata (Paris 2024). A brasileira recebeu a nota 14.533 e ajudou a seleção feminina a conquistar a prata por equipes e a vaga no Mundial de Roterdã.
A ginasta anunciou seu retorno às competições em abril, depois de ter tirado um período fora dos holofotes, logo após os Jogos de Paris – competição em que conquistou um ouro, duas pratas e um bronze. Rebeca escolheu o Pan do Rio como palco de sua volta.
– Foi a melhor decisão que eu tive durante toda a minha carreira, eu precisava muito desse momento pra descansar, pra pensar, pra colocar tudo no eixo, sabe? Eu sentia muitas dores, eu me sentia muito cansada. Precisava desse momento pra mim, porque eu sempre me doei muito pra ginástica. Então, agora, estar de volta, mesmo treinando em pouco tempo, consegui me apresentar dessa maneira, no salto – disse a ginasta.
Diogo Soares leva duas pratas e divide pódio com Nory na barra fixa
Penúltima final individual masculina do dia, a prova das barras paralelas contou com a presença de dois brasileiros. Caio Souza se apresentou e beliscou o pódio, com 13.400. Fora da disputa pelo cavalo com alças, Diogo Soares voltou recuperado para fechar a rotação, e executou uma série impecável, com a saída cravada. Ovacionado pela torcida, o ginasta ficou com a nota 13.933 e conquistou a medalha de prata para o Brasil.

O americano Yul Moldauer ficou com a primeira posição, com 14.200, e o cubano Diorges Escobar levou o bronze, com 13.700. Caio terminou a prova em quarto lugar geral.
Diogo Soares conquista prata nas barras paralelas do Pan-Americano de Ginástica Artística
Para fechar o dia, o Brasil teve dois representantes na disputa da barra fixa: Diogo Soares e Arthur Nory. Com séries cravadas, os brasileiros ocuparam as duas primeiras posições provisórias até a apresentação do último competidor, Angel Barajas. O colombiano superou os ginastas da casa, com uma nota de dificuldade altíssima e uma saída cravada.
Diogo Soares faz 14.133 na barra fixa
Diogo Soares conquistou sua segunda medalha de prata do dia, com 14.133. Arthur Nory ficou com o bronze, com 14.033, empatado com o canadense Felix Dolci. Barajas foi o campeão do aparelho, com 15.233.
Espetacular! Arthur Nory faz 14.033 na bara fixa
Thais Fidelis conquista 2º bronze na competição
Depois de brilhar no individual geral, na última sexta-feira, e levar o bronze para o Brasil, Thais Fidelis voltou a competir neste domingo pelas finais por aparelhos e angariou mais uma medalha. A ginasta ficou com o bronze na trave, com a nota 13.533. Julia Soares também disputou a prova e terminou na quinta posição, com 13.233.
Thaís Fidélis conquista bronze na trave do Pan-Americano de Ginástica Artística
A argentina Isabella Ajalla levou o ouro no aparelho, com 13.700, seguida pela americana Simone Rose, que teve a mesma nota, mas ficou com a prata no critério de desempate.
Sophia Weisberg é bronze nas assimétricas
Sophia Weisberg conquistou a terceira medalha do Brasil do dia na final das barras assimétricas. Com uma série segura, poucos descontos de execução e apenas um pequeno passo na saída, a brasileira finalizou a apresentação muito aplaudida pelo público.
Gabriela Bouças também disputou a decisão do aparelho, mas caiu logo no início da prova. Incentivada pela torcida, a ginasta voltou às barras, mas não conseguiu cravar a saída, e terminou em oitavo lugar, com 11.500.

Com a nota 13.033, Sophia terminou em terceiro lugar. A canadense Aurelie Tran ficou com o ouro, com 13.533, enquanto a americana Simone Rose levou a prata, com 13.333.
Vitaliy Guimarães vai ao pódio pelo solo
O dia começou na Arena Carioca 1 com as finais do solo masculino, primeira prova com presença brasileira. Último a se apresentar, Vitaliy Guimarães entrou confiante no tablado e só não cravou a acrobacia final, terminando a apresentação muito aplaudido. Com a nota 13.700, o atleta conquistou a medalha de bronze. O guatemalteco Jorge Vega levou o ouro, com 14.166, seguido pelo colombiano Angel Barajas, com 13.900.

Nascido nos Estados Unidos, Vitaliy decidiu competir pelo Brasil em 2024. O ginasta se emocionou com a primeira medalha conquistada com a seleção brasileira.
– Foi uma emoção inexplicável. A torcida, a energia dentro da arena. Sem eles eu acho que não seria assim. A torcida me deu muita energia e mais confiança para representar o Brasil – contou.
Na prova feminina do aparelho, Thais Fidelis chegou perto do pódio, mas terminou a disputa na quarta colocação, com a nota 13.166. Com algumas penalidades sofridas, Sophia Weisberg fechou em oitavo, com a nota 12.366.
Diogo Soares fica fora do pódio no cavalo com alças
O brasileiro Diogo Soares levou uma queda logo no início da apresentação na final individual do cavalo com alças e foi penalizado. Muito incentivado pela torcida, o ginasta voltou à prova, mas não conseguiu a recuperação no aparelho, e terminou na oitava colocação, com 10.500. O americano Patrick Hoopes ficou com o ouro (14.566), enquanto o canadense Jordan Carrol levou a prata (14.500). O colombiano Angel Barajas completou o pódio com a nota 13.800.
Por Ge



