
Mesmo depois de receberem condições clínicas para deixar o hospital, 175 pacientes continuam internados em unidades de saúde da Bahia porque não conseguem vagas para realizar diálise de forma ambulatorial. Segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), o tempo de espera pelo tratamento pode chegar a cinco meses.
Uma das pacientes nessa situação é Arleana Santos de Aquino, de 51 anos, internada há quatro meses no Hospital Estadual 2 de Julho. Dependente de hemodiálise, ela afirma que poderia estar em casa, mas precisa permanecer na unidade enquanto espera por uma vaga. “Já são quatro meses esperando. Eu poderia estar em casa com minha família, mas preciso continuar internada porque dependo da hemodiálise. O mais difícil é não saber quando essa vaga vai surgir”, relata.
A presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional Bahia (SBN-BA), Ana Flávia Moura, afirma que a falta de vagas impede pacientes clinicamente aptos de retomar a rotina fora do hospital. “São pacientes clinicamente aptos para voltar para casa, mas que permanecem internados exclusivamente porque não há vaga de diálise ambulatorial. Isso tira a autonomia dessas pessoas, afasta elas da família e as mantém expostas aos riscos de uma internação prolongada”, diz.
A permanência também aumenta a pressão sobre a rede hospitalar. Segundo a nefrologista, o prolongamento das internações amplia a exposição dos pacientes a infecções e outros problemas, além de manter ocupados leitos que poderiam ser destinados a pessoas que realmente necessitam de internação.
A SBN-BA afirma que tenta discutir o problema com o Governo da Bahia desde fevereiro de 2025. De acordo com a entidade, foram enviados ofícios solicitando reuniões com a Secretaria da Saúde e com o governador, mas, até agosto de 2026, nenhum encontro com a secretária estadual ou com o chefe do Executivo foi realizado. O único encontro ocorreu em abril de 2025, com o subsecretário da Saúde, quando, segundo a sociedade, foi informado que não havia solução disponível naquele momento.
“Essas pessoas não podem interromper a diálise e simplesmente voltar para casa. Sem uma vaga ambulatorial, acabam obrigadas a permanecer no hospital para continuar vivas”, ressalta Ana Flávia. Para a SBN-BA, é necessária a ampliação das vagas de diálise ambulatorial para permitir que os pacientes retornem para casa e reduzir a ocupação hospitalar. A entidade afirma que considera urgente uma solução para evitar que pessoas permaneçam internadas por meses apenas por falta de acesso ao tratamento fora do hospital.
Por Correio



