
A mãe de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há mais de oito meses em Bacabal, no Maranhão, forneceu sangue à Polícia Federal nesta quarta-feira (9). O material será usado em uma comparação genética com crianças resgatadas em uma operação contra o tráfico de pessoas na Flórida, nos Estados Unidos.
Clarice Cardoso disse à Agência Brasil que foi procurada pela Interpol para verificar se os filhos podem estar entre as 163 crianças localizadas na megaoperação no fim de agosto. Até agora, porém, autoridades norte-americanas e a organização internacional não confirmaram se os irmãos estão entre os resgatados.
A coleta ocorreu na Superintendência da PF, em São Luís. Segundo a advogada da família, Nathaly Moraes, o objetivo é verificar se o material sanguíneo da mãe é compatível com o das crianças encontradas nos Estados Unidos.
“Eu estou me sentindo muito confiante, porque até então estava tudo muito esquecido. E hoje eu estou muito confiante de que meus filhos possam ser encontrados vivos”, afirmou Clarice após a reunião, de acordo com o portal G1.
Ela disse ter visto imagens de uma criança nos Estados Unidos e reconhecido características semelhantes às de Allan, embora tenha ressaltado que as fotos não bastam para uma identificação. “Não dá para ter muita certeza, mas cada característica da criança é igual à do Michael”, declarou.
A advogada explicou que os irmãos não possuíam documentos de identidade, registros digitais ou material genético previamente cadastrado. Por isso, a comparação do DNA poderá ser decisiva para confirmar ou descartar a hipótese.
“Os filhos de Clarice nunca tiraram identidade, então não havia na base de dados digitais nenhum dado relativo às crianças. E as crianças que estão sem ser identificadas lá não foram identificadas pela ausência de dados genéticos cadastrados. Então, a única possibilidade de saber de fato é confrontando o material genético”, afirmou Nathaly.
Pedido de alerta internacional
Clarice também pediu à PF a inclusão dos filhos na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo voltado à localização de pessoas desaparecidas e compartilhado entre os 196 países que integram a organização.
Em nota, a Polícia Federal informou que analisará a solicitação e adotará os procedimentos para um eventual encaminhamento à Interpol. A decisão sobre publicar e distribuir o alerta aos países membros, porém, cabe à própria organização internacional.
“Após o encaminhamento pela autoridade policial competente, cabe à própria Interpol analisar as informações e decidir sobre a publicação e o compartilhamento do alerta com os países membros da organização”, explicou a PF.
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Desaparecimento
Os irmãos foram vistos pela última vez em 4 de janeiro, no Quilombo São Sebastião dos Pretos. Eles brincavam em uma área de mata quando desapareceram. Até o momento, não há suspeitos divulgados no caso. Um primo de 8 anos também havia sumido, mas foi encontrado dois dias depois por produtores rurais. Ele indicou às equipes os caminhos percorridos e uma cabana conhecida como “casa caída”, último local onde teria estado com os irmãos antes de buscar ajuda.
Nos primeiros dias, a procura reuniu centenas de voluntários e agentes das polícias, Corpo de Bombeiros, Exército, Marinha e órgãos ambientais. As equipes vasculharam mata, rios e lagos, com apoio de cães farejadores, mergulhadores e equipamentos para localizar objetos submersos. Roupas infantis foram encontradas, mas a família afirmou que elas não pertenciam às crianças. Após a varredura inicial, as buscas em campo foram reduzidas e a investigação policial passou a concentrar os esforços.
O caso segue sem suspeitos divulgados e sem confirmação sobre o paradeiro dos irmãos. A polícia descartou uma denúncia de que eles estariam em um hotel de São Paulo e desmentiu boatos de que a mãe e o padrasto teriam vendido as crianças. Depois de oito meses, a investigação passou a contar com apoio internacional, incluindo pedido de inclusão na Difusão Amarela da Interpol e comparação de DNA após a localização de 163 crianças em uma operação contra tráfico de pessoas na Flórida, nos Estados Unidos.



