
No último sábado (12 de setembro de 2026), um grupo de historiadores e pesquisadores viajou até a cidade de Canudos, no Sertão da Bahia, para depositar, nas águas do Açude Cocorobó, as cinzas do corpo do professor, historiador e escritor Manoel Neto, que morreu no dia 8 de agosto de 2026, em Salvador, Bahia.
O grupo formado por familiares e amigos do professor saiu de Salvador no sábado por volta das 6h, da UNEB Campus Cabula/Salvador, e retornou no domingo (13), com transporte e hospedagem assegurados pelo professor Luiz Paulo Neiva, diretor
do Campus Avançado de Canudos (UNEB).
No final da tarde do sábado, as cinzes foram depositadas nas águas do Açude Cocorobó, no Parque Estadual de Canudos. Com a presença da família de Manoel Neto em um barco, a solenidade foi marcada por muita emoção. Assim, por volta das 17h40, quando o sol já caia no horizonte, os versos do poeta José Américo Amorim se espalharam pelo rio Vaza-Barris e ecoaram por toda Canudos.
Diversos amigos, familiares e admiradores compareceram à solenidade. Entre os presentes estavam a família de Manoel Neto (a esposa Isabel, os filhos Tiago, Lucas e Isadora), o professor Luiz Paulo Neiva (diretor do Campus Avançado de Canudos), o cineasta Antônio Olavo (diretor da Portfoliun), os professores/as João Ferreira, Maria de Lourdes Ornellas, Samara, Maria Betânia, Silvia Fonseca e Francicleide Santana.
Marcaram presença também Josias Santos (produtor), Miguel Teles (historiador), Aldo Alcântara (produtor), Edmilson Santana (artista plástico), Lequinho (multiartista canudense), Bião de Canudos (cantor e compositor), Antenor Júnior (fotógrafo), João Neguinho (fotógrafo), Jilson Cardoso (prefeito de Canudos), Geu Rabelo (ex-prefeito de Canudos), Bruno Maceté (vereador em Quijingue) e Zefinha de Régis (representante do IPMC).
Depoimentos
Confira abaixo alguns depoimentos que marcaram a solenidade de depósito das cinzas do corpo do professor Manoel Neto nas águas do Açude de Cocorobó:
“Muito feliz em saber que a despedida do nosso grande amigo Manoel Neto aconteceu com tanto afeto e emoção. Um rito à altura do ser humano e do exemplo pessoal e profissional que ele foi. Parabenizo a todos e todas que puderam estar presentes e mais uma vez deixo meu abraço e solidariedade para com a família. Tenho certeza que diante de tanta gente que o amava, posso dizer que as homenagens a Manoel não cessarão e que a equipe do CEEC estará sempre à disposição para colaborar no que estiver ao nosso alcance”, Lucas Viana (Coordenador CEEC).
“Quero agradecer a toda família de nosso querido e eterno mestre Manoel Neto. Ele foi um ser desprendido de vaidades, egos, dotado de uma sabedoria única, humilde e simples. Deixo aqui meu agradecimento ao Mestre Antônio Olavo, que tem sido um maestro embalando os ritos de uma memória que é viva, digo não só a respeito da celebração de Manoel em Canudos, mas sobretudo no que está relacionado a história e memória Conselheirista. Vivas, vivas a Manoel Neto e a Memória do Belo
Monte… Parabenizar e agradecer ao Professor Luiz Paulo, que colocou o Campus Avançado de Canudos à disposição e que acolheu a família e todos nós nesse momento celebrativo”, João Batista (historiador).
“Momento de grande emoção, esses registros das cinzas, do nosso amigo irmão Manoel Neto, no açude de Cocorobó, na Bello Monte Conselheirista. Abraço afetuoso, a todos parentes e amigos
presentes, nessa celebração de amor em homenagem a Manoel Neto, agora compondo para sempre as águas, o luar, os raios de sol, às estrelas lá no céu, da terra encantada de Bello Monte, salve Canudos. Salve Manoel e sua memória imortal”, Fabio Paes (professor, cantor e compositor).
“Manoel Neto estará sempre presente em nossos corações. Muita saudade, tristeza não”, Moisés Varjão (morador de Canudos).
Abaixo, um texto de agradecimento do cineasta Antônio Olavo, muito amigo do professor Manoel Neto e um dos organizadores das homenagens:
MANOEL NETO, PRESENTE!
Sábado passado, 12 de setembro/2026, foi um dia que ficará para sempre em nossa memória. Em Canudos, diante de um final da tarde deslumbrante, tido por muitos como dos mais belos do mundo, dezenas de pessoas se reuniram no icônico Alto da Favela, cenário de célebres episódios da Guerra de 1897, para um ato repleto da mais pura emoção: celebrar a vida e o legado de Manoel Neto, historiador que dedicou quase cinco décadas de sua existência estudando, pesquisando e difundindo a grandiosa saga canudense.
Manoel Neto nos deixou recentemente e era desejo dele ter suas cinzas depositadas sobre as águas do Rio Vaza-Barris, que cobrem as terras sagradas onde no final do século XIX, Antonio Conselheiro construiu uma comunidade justa e solidária onde não havia fome nem opressão.
Cumprimos essa missão com emoção e dignidade.
Quero agora cumprir meu dever: fazer os justos agradecimentos aos que lá estiveram presentes e dedicaram precioso tempo para que tudo corresse com leveza nesse momento tão especial:
A toda família Manoel Neto, dignamente representada por sua esposa (Isabel), seus filhos (Tiago e Lucas) e filha (Isadora) … além de noras e netos. Minha GRATIDÃO a vocês por ter permitido coletivamente celebrar em Canudos a memória desse saudoso e querido companheiro e amigo;
Ao diretor do Campus Avançado de Canudos, Luiz Paulo Neiva, que foi incansável na disponibilização de toda a logística de apoio
ao evento;
A Moisés Varjão por ter cedido de sua casa uma muda de Aroeira, plantada em homenagem a Manoel Neto junto a Casa dos Saberes Conselheiristas Evandro Teixeira;
Às professoras Maria de Lourdes Ornellas, Samara, Silvia Fonseca, Maria Betânia e Francicleide Santana e também ao professor João Ferreira….assim
como Manoel Neto tanto fez, vocês continuarão encantando estudantes em suas salas de aula com a história de Canudos;
Aos amigos Josias Santos, Miguel Teles e Aldo Alcântara, sempre perto… sempre solidários;
Aos queridos Edmilson Santana (artista plástico), Lequinho (multiartista canudense), Bião de Canudos (cantor e compositor), Antenor Júnior (fotógrafo, documentarista e gestor de Ponto de Cultura) e João Neguinho (fotógrafo)… muito GRATO por tudo que fizeram.
Aos representantes institucionais: Jilson Cardoso (prefeito de Canudos), Geu Rabelo (ex-prefeito de Canudos), Bruno Maceté (vereador em Quijingue) e nossa querida Zefinha de Régis dignamente representando o IPMC.
Ao historiador João Batista, que juntamente com o poeta José Américo, providenciou o transporte da Aroeira e uma canoa que levasse as cinzas de Manoel Neto para as águas do Vaza-Barris. Ressalto que João Batista, ao final do evento, emocionou a todos cantando “Bello Monte” uma das mais belas canções de Bião de Canudos;
E ao poeta José Américo Amorim, que tomado pela emoção e com o rosto banhado de lágrimas soltou a voz trêmula e declamou um poema forte e contundente, dedicado a Manoel Neto, em que fala do sonho de justiça numa noite estrelada e ressalta a coragem dos oprimidos que não aceitam mais serem servis nessa terra de senhores feudais, nessa pátria chamada Brasil.
Pessoalmente deixo minha *GRATIDÃO* a todas/todos por ter me permitido testemunhar esse momento de *GRANDEZA*. Eu tenho certeza de que, para os que estavam presentes fisicamente, foi uma tarde para nunca mais esquecer, nela pulsamos nossa emoção e com ela vibramos mais forte nosso coração. (Antonio Olavo).
Por Evandro Matos / Fotos: Grupo Canudos: Memória Eterna!



