
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se referia ao senador baiano Otto Alencar (PSD) como “conselheiro” e “comandante” em mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF). As informações foram publicadas neste sábado (19) pelo jornal O Globo (Foto: Roque de Sá / Agencia Senado).
De acordo com a reportagem, o advogado Ciro Soares aparece no relatório da PF como intermediário entre Vorcaro e Otto. Ele avisava ao banqueiro quando estava com o senador, enviava fotos e fazia ligações para transmitir recados atribuídos ao parlamentar.
Em uma das conversas, de maio de 2024, Soares informou que Otto queria falar com Vorcaro. Após uma tentativa de ligação, o banqueiro mandou um abraço para o senador e o chamou de “conselheiro” e “comandante nosso”.
Outras mensagens analisadas pela PF mostram novas tentativas de contato entre 2024 e 2025. Em dezembro de 2024, Soares disse que Otto havia feito “um movimento grande” em favor de Vorcaro. Em novembro do ano seguinte, o advogado afirmou estar com o senador e disse que ele perguntava pelo banqueiro.
Procurado pelo O Globo, Otto afirmou inicialmente que nunca havia conversado ou se encontrado com Vorcaro. Após a publicação da reportagem, o senador disse ter se lembrado de duas ou três conversas por telefone com o banqueiro, feitas pelo aparelho de Ciro Soares.
Segundo Otto, Vorcaro pediu apoio à chamada “emenda Master”, que pretendia aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O senador afirmou que não concordou com a proposta, que acabou não avançando no Senado.
Otto não é investigado no caso. Ciro Soares também afirmou que não organizou encontros entre o senador e Vorcaro. A defesa do banqueiro não comentou as mensagens, segundo O Globo.



