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Câncer de mama antes dos 40 anos: o que as mulheres jovens precisam saber

O diagnóstico de Luana Lago aos 36 anos reforça que a doença também pode atingir mulheres jovens e destaca a importância do diagnóstico precoce e da assistência especializada, inclusive para preservar a maternidade

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Arquivo pessoal

“Meu mundo virou de cabeça para baixo. Eu não tinha histórico familiar, praticava atividade física regularmente, me alimentava bem e recebi o diagnóstico de câncer de mama.”, desabafa Luana Lago, que percebeu que havia algo errado durante o autoexame aos 36 anos de idade.

Atenta aos sinais do próprio corpo, Luana procurou o médico assim que percebeu um nódulo diferente na mama. A rapidez na identificação e na investigação possibilitou o diagnóstico em estágio inicial e contribuiu para a definição de um tratamento direcionado. A abordagem incluiu a retirada da mama, seguida de reconstrução mamária, radioterapia e hormonioterapia, sem necessidade de quimioterapia.

Após o diagnóstico, tão importante quanto identificar a doença precocemente é definir, de forma individualizada, o melhor caminho para o tratamento. E é nesse contexto que a integração entre o Hospital da Bahia e a clínica AMO, administrados pela Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, oferece um cuidado coordenado, com tecnologia de ponta, profissionais atuando em conjunto e maior agilidade na tomada de decisões. Para a paciente, isso significa ter diferentes especialidades alinhadas em torno de um mesmo objetivo, que é oferecer o tratamento mais adequado às suas necessidades, com segurança e acolhimento em todas as etapas.

A realidade em números

A história de Luana chama atenção para uma questão importante: o câncer de mama também pode acometer mulheres mais jovens. Esse é o tipo de tumor que mais alcança mulheres em todo o mundo e representa um importante desafio de saúde pública também no Brasil. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que mais de 78 mil novos casos devem ser registrados no país por ano até 2028. Na Bahia, são estimados mais de 4 mil novos casos anuais, sendo cerca de 1.340 somente em Salvador.

O cenário também acompanha uma mudança mais ampla na incidência entre pessoas mais jovens. De acordo com um estudo publicado na revista científica BMJ Oncology, divulgado em 2023, o número de casos entre pessoas com menos de 50 anos aumentou 79% nas últimas três décadas. Em 2019, foram registrados 3,26 milhões em pessoas com menos de 50 anos. Em 1990, eram 1,8 milhão de casos, em mais de 200 países, incluindo o Brasil.

“Temos observado um aumento real no número de casos de câncer de mama em mulheres jovens, sobretudo abaixo dos 40 anos, uma tendência confirmada por registros de câncer em vários países. É uma doença multifatorial, e a causa desse aumento ainda não é completamente compreendida. Mudanças no padrão reprodutivo ajudam a explicar parte desse fenômeno: primeira menstruação mais precoce, menor taxa de gravidez ou gravidez mais tardia, menor tempo de amamentação e uso prolongado de anticoncepcionais. Mas isso não é suficiente para explicar completamente esse aumento. Por isso, acredita-se que fatores genéticos, mudanças do estilo de vida e possíveis exposições ambientais, também estejam associados a esse risco”, explica Marília Sampaio, oncologista da clínica AMO.

Estilo de vida é fator de risco

Hábitos de vida podem influenciar o risco de câncer de mama. Entre eles, destacam-se o consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades, o tabagismo e a baixa prática de atividade física. Na alimentação, merece atenção o padrão marcado pelo consumo frequente de ultraprocessados, como embutidos, refrigerantes e salgadinhos, e pela baixa ingestão de alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras e feijões.

A possível contribuição do excesso de gordura corporal, especialmente quando presente desde a infância e a adolescência, também tem sido investigada por sua relação com inflamação crônica e alterações hormonais e da insulina. Esses fatores, entretanto, não explicam isoladamente o aumento dos casos entre mulheres jovens, cujas causas ainda não são completamente compreendidas e provavelmente envolvem uma combinação de influências ambientais, genéticas, hormonais e reprodutivas.

Isso não significa que toda mulher jovem esteja em alto risco. O alerta é para que a idade não seja vista como uma impossibilidade de diagnóstico. Conhecer o próprio corpo, manter acompanhamento médico regular e realizar os exames indicados para cada faixa etária e perfil de risco são medidas importantes para contribuir com a detecção precoce.

De acordo com o Ministério da Saúde, a mamografia de rastreamento deve ser realizada a partir dos 40 anos para mulheres com risco habitual. No entanto, mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama, identificado por calculadoras de risco, histórico familiar ou presença de mutações genéticas, precisam de acompanhamento individualizado. Nesses casos, o rastreamento pode começar antes dos 40 anos e incluir outros métodos, como a ressonância magnética das mamas. A idade de início e os exames indicados dependem do perfil de risco de cada mulher e, quando presente, do tipo de mutação genética.

“A maioria dos cânceres de mama são esporádicos, cerca de 85%. Apenas 15% estão relacionados ao histórico familiar com casos de familiares de primeiro e segundo grau com câncer de mama ou ovário. Esses pacientes podem ter um risco maior. Outro grupo é aquele em que a família já tem uma mutação genética, como BRCA1, BRCA2 e TP53, genes que predispõem o câncer de mama. Ao identificar esse histórico familiar, o recomendado é procurar um mastologista a partir dos 25 anos.”, detalhou Sérgio Calmon, mastologista do Hospital da Bahia.

Câncer de mama e a maternidade

O diagnóstico de câncer de mama pode trazer incertezas sobre a maternidade, especialmente para mulheres que ainda estão em idade fértil. A quimioterapia pode reduzir a reserva de óvulos, enquanto a hormonioterapia, indicada para alguns tipos da doença, pode durar de cinco a dez anos, adiando a gestação para uma fase em que a fertilidade já está naturalmente reduzida.

Por isso, toda paciente jovem deve receber orientação sobre os possíveis impactos do tratamento na fertilidade e, se desejar ter filhos ou ainda tiver dúvidas, conhecer antes do início da terapia as opções de preservação, como o congelamento de óvulos ou embriões. Cuidar do câncer também envolve acolher os planos de vida dessa mulher.

O estudo POSITIVE trouxe uma perspectiva importante para mulheres que desejam ser mães após o câncer de mama. Em pacientes selecionadas, com doença inicial sensível aos hormônios, a interrupção planejada da hormonioterapia após 18 a 30 meses, por até dois anos, permitiu a tentativa de gravidez, espontânea ou com reprodução assistida, sem aumento do risco de recidiva no período acompanhada.

“Essa decisão precisa ser individualizada e acompanhada pela equipe médica, com retomada do tratamento após essa pausa para completar o tempo recomendado. É uma possibilidade de conciliar o cuidado oncológico com o sonho da maternidade” explica a oncologista.

Dois anos depois do diagnóstico, Luana olha para o futuro com esperança. Recentemente, suspendeu a hormonioterapia, com acompanhamento médico, para tentar engravidar e realizar o sonho de ser mãe.

Ela pretende tentar uma gestação natural e, caso não seja possível, considera recorrer à fertilização in vitro. “Eu estou em paz com as coisas. Costumo dizer que, com a doença, aprendi muito a tentar não controlar tudo, mas controlar como vou agir em cima disso. Vou me casar no final deste mês [outubro], vou para a minha lua de mel e, no ano que vem, é o meu projeto de ser mãe e continuar essa história de uma forma muito bonita, leve e inspiradora para outras mulheres”, contou.

Integração que faz a diferença no cuidado

A história de Luana evidencia a importância de um cuidado integrado e centrado na paciente durante toda a jornada contra o câncer de mama. No Hospital da Bahia e na clínica AMO, esse modelo de assistência se diferencia pela atuação em conjunto desde a investigação diagnóstica até o acompanhamento pós-tratamento.

As equipes multidisciplinares contam com profissionais de diversas áreas como oncologistas, mastologistas, cirurgiões, radiologistas, nutricionistas, psicólogos e equipes de enfermagem que atuam de forma coordenada nas discussões dos casos e nas decisões terapêuticas. Essa troca entre os especialistas permite considerar não apenas as necessidades clínicas, mas também os planos, os desejos e a qualidade de vida de cada paciente, como o sonho de Luana de ser mãe.

Para Luana, transformar a própria experiência em uma mensagem para outras mulheres é uma forma de dar novo significado ao que viveu. Há dois anos, em setembro, mês no qual recebeu o diagnóstico, ela realiza o Setembro Rosa, projeto voltado ao estímulo do autocuidado feminino e à inspiração para outras mulheres.

Conhecer o próprio corpo, estar atenta aos sinais e manter consultas e exames em dia são atitudes importantes para cuidar da saúde. Nessa jornada, contar com profissionais especializados e instituições preparadas, como o Hospital da Bahia e a clínica AMO, também faz parte desse cuidado.

“Levar essa mensagem faz com que a gente inspire com esse movimento de autocuidado, para que, a partir de uma história, a gente consiga contribuir para a vida de outra pessoa ser um pouco melhor”, destacou Luana Lago.

Fonte: Correio

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