
A Fórmula 1 tem um novo campeão mundial. E ele já entrou para a história. Aos 20 anos, Andrea Kimi Antonelli conquistou seu primeiro título da categoria neste domingo (1/11), durante o Grande Prêmio da Cidade do México.
O italiano da Mercedes terminou a corrida na terceira posição, resultado suficiente para confirmar matematicamente a conquista e estabelecer um novo recorde: o de campeão mundial mais jovem da história da principal categoria do automobilismo (Andrea Kimi Antonelli / Foto: X/@MercedesAMGF1).
A conquista coroa uma aposta que, desde o início, carregou riscos. Toto Wolff, chefe da Mercedes, acreditou no talento do italiano e abriu espaço para que ele chegasse à Fórmula 1 ainda muito jovem, mesmo diante das dúvidas sobre sua experiência e capacidade de suportar a pressão de uma equipe de ponta. Agora, o dirigente colhe os frutos de uma decisão que pode representar o início de uma nova dinastia na categoria.
Antonelli demonstrou personalidade ao longo da temporada. Extremamente talentoso, o italiano reúne características que permitem projetar um futuro ainda mais expressivo. Seu teto competitivo parece elevado o suficiente para que a palavra genialidade deixe de ser apenas uma expectativa. O primeiro título, entretanto, representa somente o começo de uma trajetória que poderá colocá-lo entre os grandes nomes da história da Fórmula 1.
Corrida de estratégia e maturidade
O GP da Cidade do México teve diferentes protagonistas e momentos de tensão. Lewis Hamilton largou bem e conseguiu sustentar a liderança nas primeiras curvas, mas acabou superado por Charles Leclerc e Max Verstappen, caindo para a terceira posição. George Russell, que partiu da segunda colocação, teve uma largada ruim e perdeu posições.
A corrida também foi marcada por punições. Leclerc recebeu cinco segundos por uma manobra investigada pelos comissários, enquanto Russell foi penalizado em dez segundos. O monegasco, que apresentava ritmo bastante competitivo e chegou a abrir cinco segundos na liderança, viu sua estratégia ser comprometida pela sanção.
Enquanto os adversários travavam disputas e enfrentavam dificuldades, Antonelli adotava uma postura calculada. O italiano precisava apenas de um nono lugar para assegurar o título, independentemente dos demais resultados. Caso terminasse em décimo, dependeria de Russell não vencer. Se não pontuasse, precisaria que Russell e Hamilton também não conquistassem a vitória.
A estratégia da Mercedes colocou Antonelli provisoriamente na liderança durante a janela de pit stops. O piloto permaneceu na pista enquanto os principais concorrentes realizavam suas trocas de pneus. Quando finalmente entrou nos boxes, na volta 43, uma parada de 4s3 o fez retornar na quarta posição, atrás de Verstappen, que assumiu a ponta.
A corrida ganhou novos contornos na volta seguinte, quando Valtteri Bottas bateu forte com sua Cadillac e provocou a entrada do safety car. Hamilton aproveitou a oportunidade para colocar pneus macios, mas a direção de prova interrompeu a disputa com bandeira vermelha. Depois de quase 40 minutos de paralisação, os pilotos retornaram para uma relargada com o grid parado.
Verstappen sustentou a liderança, enquanto Hamilton ganhou a segunda posição. Antonelli, inicialmente superado pelo heptacampeão e por Leclerc, mostrou arrojo para recuperar a terceira colocação com uma ultrapassagem sobre o monegasco na volta 48. Mesmo sem precisar assumir riscos desnecessários para garantir o campeonato, o italiano demonstrou competitividade.
Um novo safety car, provocado pelo abandono de Arvid Lindblad após uma disputa com Oscar Piastri, voltou a neutralizar a corrida na volta 59. Na relargada, Verstappen manteve a primeira posição, seguido por Hamilton e Antonelli. A ordem permaneceu até a bandeirada final, após 71 voltas.
Com a vitória, Max Verstappen alcançou seu 74º triunfo na Fórmula 1. Hamilton terminou em segundo, enquanto Antonelli completou o pódio e confirmou a conquista mundial. Gabriel Bortoleto cruzou a linha de chegada na 11ª posição, fora da zona de pontuação.
Mateus Liberato, Narrador e produtor em O TEMPO. Jornalista formado pelo Centro Universitário Una, no ano de 2017.



