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Cinco anos sem Marília Mendonça: mãe mantém quarto intacto e revela lado “dengoso” da cantora

Em entrevista ao Globo, Dona Ruth relembra hábitos da filha longe dos palcos e cita emoção ao encontrar composições e gravações antigas

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Cinco anos após a morte de Marília Mendonça, nesta quinta-feira (5), o tempo parece ter congelado num dos cômodos da casa de Dona Ruth Moreira, em Goiânia. Sim, o quarto da cantora permanece como ela o deixou, com roupas, objetos pessoais e lembranças de uma vida interrompida precocemente, aos 26 anos, num acidente aéreo.

A mãe da artista visita o espaço todos os dias. É ali que ainda encontra vestígios da filha que, longe dos palcos e das multidões, gostava de andar descalça, comer “receitinhas caseiras” e se aninhar no colo dela para pedir carinho.

— A Marília artista e a Marília de casa eram a mesma verdade, mas no palco ela vestia aquela armadura de mulher gigante, forte, que falava por milhões. Em casa, no aconchego da família, ela tirava essa armadura — contou Dona Ruth, em entrevista recente ao Globo.

— Era uma menina dengosa, que gostava de andar descalça, comer a comida que eu fazia, deitar no meu colo pra pedir carinho… O público via a potência da voz dela, mas quem vivia com ela conhecia a doçura e a simplicidade de uma menina que só queria ver todo mundo ao redor feliz.

O quarto de Marília está totalmente preservado. No closet, continuam guardadas peças de roupa usadas pela cantora em apresentações, incluindo figurinos da turnê “Todos os cantos”. Entre os objetos pessoais, há também uma sanfona que Marília ganhou da dupla César Menotti & Fabiano.

A saudade, no entanto, não se restringe às lembranças materiais. Em meio aos cadernos, áudios e gravações deixados pela artista, Dona Ruth ainda descobre registros de sua criatividade. Em conversa com o Globo, ela contou que o contato com esse acervo ainda provoca momentos de forte emoção.

— Até hoje eu abro um caderno antigo ou escuto um áudio no celular e me pego chorando de emoção. A Marília não escrevia por obrigação ou porque era trabalho, ela escrevia porque a alma dela pedia isso. Era uma necessidade do coração dela — afirmou.

Segundo a mãe, a facilidade da filha para transformar experiências cotidianas em canções já se manifestava na adolescência:

— Desde novinha, ela via uma situação da vida de alguém, um sofrimento ou uma alegria de um amigo, e aquilo virava música em questão de minutos. Deus deu pra ela um dom muito raro, uma sensibilidade de enxergar a alma das pessoas e transformar em verso o que o povo nem sabia como dizer.

Parte dessa produção pessoal veio a público na série documental “Marília Mendonça: sentimento louco”, que estreou em outubro no Prime Video. Dirigida por Susanna Lira e dividida em quatro episódios, a obra reúne imagens inéditas e depoimentos de familiares, amigos e colegas da cantora. Para realizar o projeto, a cineasta teve acesso a um acervo de 530 mil arquivos pessoais, incluindo 50 mil vídeos, além de áudios, mensagens e anotações.

‘Tem dia que é pior’

A data da morte da cantora carrega uma coincidência especialmente dolorosa para Dona Ruth. Marília morreu em 5 de novembro de 2021, apenas um dia depois do aniversário da mãe, celebrado em 4 de novembro. “Em novembro, eu me casei, em novembro eu nasci. Inclusive, meu aniversário é dia 4 e eu perdi minha filha dia 5. Ele significa a pior dor que uma pessoa pode passar na vida”, desabafou Ruth à TV Anhanguera, em reportagem veiculada nesta semana.

Em outro momento, ao falar sobre a ausência da filha, ela reconheceu que a passagem dos anos não tornou a perda necessariamente mais suportável. “Às vezes, falo que tô com saudade, mas eu falo para Deus. Porque às vezes a dor é tanta… Porque tem dia que é pior. Morre um pedaço de você.”

No fim de outubro, às vésperas do quinto aniversário da tragédia, Dona Ruth também recorreu às redes sociais para pedir que internautas evitassem compartilhar imagens do acidente e do velório da filha. “Eu queria fazer um pedido com muito carinho para vocês, para que não fiquem postando o velório, o acidente, porque mesmo que vocês façam com a intenção de homenagear, machuca muito”, afirmou.

Marília morreu quando o avião em que viajava caiu em Piedade de Caratinga, em Minas Gerais, onde faria uma apresentação naquela noite. Durante a aproximação para o pouso, a aeronave atingiu cabos de uma linha de transmissão de energia elétrica e caiu numa área de cachoeira. Além dela, morreram o tio e assessor Abicieli Silveira Dias Filho, o produtor Henrique Ribeiro, o piloto Geraldo Martins de Medeiros Júnior e o copiloto Tarciso Pessoa Viana.

O velório e o enterro, realizados em Goiânia, reuniram milhares de admiradores, além de artistas como Henrique & Juliano e Maiara & Maraisa. Murilo Huff, ex-companheiro da cantora e pai de seu filho, também participou das despedidas.

Cinco anos depois, a ligação entre Marília e o público continua sendo uma fonte de consolo para Dona Ruth. Na entrevista ao GLOBO, ela contou que recebe diariamente mensagens e demonstrações de afeto de pessoas que encontraram nas músicas da filha uma maneira de atravessar momentos difíceis.

— Os fãs da Marília não são apenas fãs, eles viraram parte da nossa família. O que mais me toca é quando chegam mães me abraçando no meio da rua, ou mandando carta, dizendo que a Marília ajudou elas a saírem de um relacionamento doloroso, ou que uma música dela deu coragem pra pessoa recomeçar a vida.

Uma dessas manifestações, em particular, ficou marcada na memória de Ruth.

— Recentemente, uma fã me mostrou uma tatuagem da assinatura da Marília e me disse que ouvindo ela aprendeu a se amar mais. Ver o quanto a minha filha ainda cura a dor dos outros e traz alegria pras pessoas mesmo não estando aqui em matéria, isso me emociona demais.

Por Agência O Globo

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