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Clínicas de diálise alertam para risco de colapso após atrasos de pagamentos na Bahia

Segundo a ABCDT, 13 unidades baianas enfrentam atrasos nos pagamentos; entidade notificou o governo estadual

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Máquinas de hemodiálise Crédito: Divulgação/Sesab

Pelo menos 13 clínicas de diálise registraram atraso nos repasses feitos pelo governo da Bahia nos últimos meses. O alerta é da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), que divulgou esta semana que a dívida estadual com as unidades chega a aproximadamente R$15 milhões, referente ao cofinanciamento dos serviços.

Segundo a entidade, a falta de pagamento tem provocado dificuldades financeiras no setor e ameaça a continuidade dos tratamentos de pacientes com doença renal crônica. Os repasses atrasados são referentes aos meses de agosto, setembro e outubro. A ABCDT informou que, no dia 1º de outubro, o Ministério da Saúde fez uma transferência de R$ 14.027.801,04. Apesar da disponibilização dos recursos, as unidades seguem sem receber os valores, conforme a associação.

O diretor de Relações Institucionais da associação, Leonardo Barberes, alertou que os atrasos podem provocar consequências graves para os pacientes. Segundo ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) é a única fonte de receita de muitas clínicas baianas, o que torna a regularidade dos pagamentos fundamental para a manutenção dos serviços.

“Nesse sentido, o atraso nos repasses, além de aumentar os custos em decorrência da incidência de multas e juros sobre as dívidas das unidades com os fornecedores, também pode provocar a suspensão do fornecimento de insumos por parte das multinacionais, levando ao risco de colapso do sistema e de interrupção dos tratamentos”, afirmou Barberes.

Até o momento, não houve paralisação dos atendimentos, mas os estoques de insumos das unidades estão limitados. O representante da associação não descarta a possibilidade de interrupção dos tratamentos caso os pagamentos não sejam regularizados nos próximos dias. “Contudo, caso essa situação persista, não é possível descartar a possibilidade de que alguma clínica seja obrigada a interromper os tratamentos nos próximos dez dias”, acrescenta.

Sem previsão

Diante dos atrasos, a entidade encaminhou uma notificação extrajudicial ao governo da Bahia solicitando a regularização dos débitos. Entretanto, segundo Barberes, a ABCDT ainda não recebeu uma resposta que indique quando os pagamentos serão efetuados.

A associação ressalta que, embora o Ministério da Saúde tenha anunciado, em março de 2026, medidas para ampliar o financiamento da Terapia Renal Substitutiva (TRS) no SUS, incluindo reajustes nos valores das sessões de hemodiálise, a regularidade dos repasses é indispensável para garantir a sustentabilidade dos serviços e a segurança dos pacientes.

“Sem uma data definida, as unidades ficam impossibilitadas até mesmo de negociar suas dívidas com os fornecedores, devido à falta de previsibilidade dos repasses. Esse cenário aumenta ainda mais o risco de interrupção dos tratamentos por falta de insumos”, explica.

As unidades estão localizadas nos seguintes municípios:

  • Irecê;
  • Seabra;
  • Santo Estêvão;
  • Serrinha;
  • Lauro de Freitas;
  • Euclides da Cunha;
  • Valença (Hemodiálise Valença);
  • Itaberaba (Instituto do Rim);
  • Itapetinga (Clínica SARE);
  • Ribeira do Pombal;
  • Santo Amaro;
  • Teixeira de Freitas (Saúde Renal);
  • Barreiras (IDB).

A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) foi contatada pela reportagem e o espaço segue aberto para manifestação.

Fonte: Correio da Bahia

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