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Artistas pedem saída de Margareth Menezes do Ministério da Cultura

Mais de 400 artistas e representantes do setor cultural assinaram um manifesto que pede mudanças na política cultural do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir de janeiro de 2027. Intitulado “Manifesto por mudanças na Cultura Lula 4”, o documento defende uma renovação na condução do Ministério da Cultura (MinC), atualmente comandado pela cantora baiana Margareth Menezes.

A mobilização reúne nomes de diferentes áreas, como cinema, teatro, música, literatura e artes visuais. Entre os signatários estão os atores Bruno Gagliasso, Johnny Massaro e Marcélia Cartaxo; os cineastas Anna Muylaert, Laís Bodanzky, Jefferson De e Eryk Rocha; e os escritores Ruth Rocha, Fernando Morais e Xico Sá. Também assinam o documento o artista plástico Paulo Bruscky e Milton Sales, fundador dos Racionais MC’s.

Entidades como o Fórum Nacional de Dança e o Movuca, movimento de trabalhadores da cultura do Rio de Janeiro, também aderiram à iniciativa.

Embora não cite diretamente Margareth Menezes, o manifesto critica os resultados da gestão do MinC nos últimos quatro anos. Os signatários reconhecem a importância da recriação da pasta, extinta durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), mas avaliam que os recursos destinados ao setor não foram suficientes para estabelecer uma política cultural abrangente.

“Nosso apoio não se deu pelo resultado da atual gestão do MinC nesses quatro anos. O que nos fez vencer esta eleição é o sentimento de que pertencemos ao mesmo povo, sem nos reduzir a grupos que se digladiam por recursos públicos”, afirma um trecho do documento.

Em outra passagem, o grupo questiona o que considera uma atuação concentrada em “uma falida gestão de editais e de defesa de leis de renúncia fiscal”.

O texto também retoma uma declaração de Lula durante o discurso da vitória, em 25 de outubro, quando o presidente afirmou que pretendia mudar a maneira de governar. Para os artistas, a transformação anunciada precisa se estender à política cultural. Em setembro, ainda durante a campanha, outro grupo já havia publicado o manifesto “A cultura está com Lula e pede mudanças”, com reivindicações semelhantes.

Manno Góes sai em defesa da ministra

Em meio à mobilização, o cantor e compositor baiano Manno Góes publicou uma manifestação em defesa de Margareth Menezes. Autor de sucessos do axé, como “Milla”, popularizada na voz de Netinho, ele questionou a iniciativa dos artistas e relacionou parte das críticas à condução das negociações em torno do chamado PL do Streaming.

Enviado pelo governo federal, o projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está em tramitação no Senado. A proposta prevê a cobrança da Condecine sobre plataformas de vídeo sob demanda, televisão por aplicativos e serviços de compartilhamento de vídeos.

Manno argumentou que o Ministério da Cultura precisa negociar com o Congresso dentro das condições políticas existentes e que um acordo possível seria melhor do que a ausência de avanços. O compositor também criticou a falta de manifestações públicas em apoio à ministra.

“Acham mesmo que Margareth, logo Maga, aquela mulher foda do ‘eu falei faraó’, preta, baiana, forte e corajosa, iria ficar do lado da Netflix, e não dos artistas?”, escreveu.

O músico ainda questionou se uma eventual mudança no comando do ministério seria suficiente para transformar os rumos da política cultural.

Fonte: Bahia Econômica

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