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Ex-vereador é condenado a mais de 45 anos de prisão por matar companheira estrangulada na BA

João Pereira Sena, conhecido como João da Água, também foi condenado por fraude processual após tentar simular que a vítima havia morrido de um mal súbito. Defesa informou que vai recorrer da decisão.

O ex-vereador de Aurelino Leal, no sul da Bahia, João Pereira Sena, conhecido como João da Água, foi condenado a 45 anos, quatro meses e 12 dias de prisão pelo feminicídio da companheira, Cleonice Pereira dos Santos, de 47 anos.

O julgamento aconteceu na terça-feira (3), no Tribunal do Júri da Vara Criminal de Ubaitaba. João Pereira Sena foi vereador entre 2009 e 2012.

Conforme apuração da TV Santa Cruz, afiliada da Rede Bahia, o ex-parlamentar também foi condenado a seis meses de detenção e ao pagamento de multa por fraude processual. A defesa informou que vai recorrer da decisão.

O crime aconteceu em 31 de dezembro de 2025, na zona rural de Aurelino Leal. Segundo as investigações, Cleonice foi morta por estrangulamento. Após o crime, João Pereira Sena levou o corpo da companheira ao hospital e alegou que ela havia sofrido um mal súbito.

Durante o julgamento, os jurados reconheceram, por maioria de votos, que o ex-vereador foi o responsável pelas agressões que provocaram a morte da vítima.

O Conselho de Sentença também concluiu que o crime foi cometido em contexto de violência doméstica e familiar, com emprego de asfixia e de recurso que dificultou a defesa de Cleonice.

O ex-parlamentar, que tem 68 anos, negou a autoria do crime durante o interrogatório. A defesa pediu a absolvição, mas a tese foi rejeitada pelos jurados.

Tentativa de encobrir o crime

Além do feminicídio, João Pereira Sena foi condenado por fraude processual. Segundo a ata do julgamento, os jurados entenderam que ele tentou alterar a cena do crime para dificultar as investigações.

Conforme a decisão, o ex-vereador ocultou o celular da companheira, transportou o corpo dela até o Hospital de Aurelino Leal e apresentou uma versão falsa sobre as circunstâncias da morte, alegando que Cleonice havia sofrido um mal súbito.

Na sentença, o juiz destacou que João Pereira Sena tinha um histórico de agressões físicas contra a vítima.

O magistrado também considerou como agravante o motivo torpe, relacionado a desentendimentos patrimoniais entre o casal. Segundo a decisão, o condenado se recusava a repassar à companheira valores provenientes da negociação de um lote de terras.

A Justiça determinou que a pena seja cumprida inicialmente em regime fechado e negou ao ex-vereador o direito de recorrer em liberdade. Com isso, ele permanecerá preso.

Prisão do ex-vereador

João Pereira Sena foi preso em 23 de janeiro de 2026, na região de Catulé, zona rural de Aurelino Leal, durante uma operação da Polícia Civil.

Na época, a polícia informou que as investigações começaram após Cleonice dar entrada no hospital da cidade, na noite de 31 de dezembro de 2025, com sinais de estrangulamento.

Vítima foi identificada como Cleonice Pereira dos Santos, de 47 anos — Foto: Arquivo pessoal

Durante a apuração, os investigadores identificaram indícios de feminicídio e um histórico de violência doméstica e familiar praticada pelo suspeito contra a companheira.

Na operação que resultou na prisão, equipes do Grupo de Apoio Técnico e Tático à Investigação (Gatti/Costa do Cacau) apreenderam um aparelho celular e uma motocicleta com restrição de roubo.

 Por g1 BA e TV Santa Cruz

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