Polícia

Força-tarefa da polícia caça matadores de PM próximo a Morro de São Paulo

A força-tarefa montada pela polícia busca encontrar os traficantes que mataram nesta terça (28) o PM Valdir Moura dos Santos, 32 anos, e feriram o soldado Raimundo Rosemberg da Silva Carmo, 39. O bando é apontado ainda como responsável pelo homicídio de Alberto Araújo dos Santos, 54.

No final da noite desta terça (28), dois dos cinco fugitivos morreram em suposto confronto com a polícia, na imediações do Galeão. Paulo Henrique Assunção Cerqueira, conhecido como Paulinho Bagaceira, e um rapaz identificado como Índio, reagiram à abordagem. Nenhum policial ficou ferido.

A força-tarefa, formada por 36 policiais militares e 12 civis e que revezam entre si, tenta agora encurralar os outros três fugitivos. “É uma área que eles (fugitivos) conhecem como ninguém, mas a polícia continua tentando encurralar. Alguns já eram conhecidos e atuam aqui na região”, disse a coordenadora da 5ª Coordenadoria Regional de Polícia (Coorpin), em Valença, a delegada Glória Santos, antes da morte dos dois acusados. Ela não divulgou os nomes dos fugitivos para não atrapalhar as investigações.

“Cercamos a área onde os suspeitos estão e fizemos abordagens em todas as lanchas. Uma guarnição conseguiu ver eles de longe, mas a área é de dificílimo acesso”, acrescentou.

As buscas estão sendo feitas desde anteontem quando os PMs foram baleados. Valdir, baleado na cabeça, chegou a ser levado para o Hospital do Subúrbio, em Periperi, mas não resistiu. O corpo dele foi enterrado ontem, em Valença. A esposa do PM, grávida de sete meses, passou mal e não pôde comparecer ao enterro.

Perseguição ocorreu entre o povoado Gamboa e Valença

Já Raimundo Rosemberg passou por uma cirurgia ontem, no Hospital da Bahia, para retirar o projétil do abdômen e passa bem. A previsão é que ele já tenha alta nesta quarta.

Antes de serem alvejados, os dois policiais estavam se preparando para ir embora, depois de um plantão de 24 horas no posto policial de Gamboa, distrito de Cairu, quando um chamado urgente de um morador fez com que alterassem a rotina.

Investigação

Um familiar do comerciante Alberto dos Santos relatou aos PMs a morte do parente, vítima de tiros na cabeça e no tórax disparados por um grupo de seis homens, na Rua da Fonte. Há duas versões para o crime. Segundo a delegada Glória Santos, Alberto, que era conhecido como “Carcunda”, teria negado o pedido do grupo para emprestar um cavalo. “Carcunda não quis emprestar o cavalo que o grupo pediu para levar drogas e foi alvejado”.

Já segundo testemunhas, o bando teria perguntado a Alberto onde morava um traficante conhecido como “Di”.  O comerciante respondeu não saber, por não andar “com este tipo de gente”. Sob a ameaça, ele empunhou uma faca e acabou baleado.

Os dois policiais chegaram à cena do crime, mas os traficantes tinham fugido em um barco de pesca, o mesmo que os levou até a localidade conhecida como Toque, onde o homicídio ocorreu. Com a ajuda do dono de uma lancha rápida que realiza transporte de passageiros, os PMs foram atrás do grupo. O dono da embarcação e o familiar de Alberto foram junto.

Segundo o major Paulo Salustiano de Souza, comandante da 33ª Companhia Independente da PM (CIPM), Valdir requisitou reforço, mas como a única lancha da PM que atende a região está em manutenção, a ajuda não chegou. Com o auxílio do dono da lancha, os dois policiais encontraram o barco em que estavam os criminosos  encalhado em uma área de manguezal, próximo à localidade de Três Matinhas, entre Gamboa e Galeão. Os soldados se aproximaram da embarcação, mas foram surpreendidos.

Emboscada

Dois bandidos permaneceram na parte superior do barco e, com as mãos para cima, renderam-se à voz de prisão dos PMs. Mas outros quatro que se escondiam em um compartimento inferior  aproveitaram a aproximação dos policiais para atirar.

Rosemberg, que estava consciente, ainda conseguiu pedir ajuda por telefone. A lancha os levou até Valença, onde receberam os primeiros atendimentos na Santa Casa de Misericórdia. Um helicóptero da polícia realizou a remoção para o Hospital do Subúrbio, em Salvador.

Escalada de violência na região

Por trás do paradisíaco arquipélago de Cairu, na Costa do Dendê, em que belas praias, como a de Morro de São Paulo, atraem cerca de 170 mil visitantes por ano, o intenso consumo de drogas por parte de turistas e moradores movimenta e fortalece o crime organizado. Devido aos altos lucros com o tráfico, três quadrilhas rivais, segundo a polícia, travam disputas pelo poder no município vizinho de Valença.

A escalada de violência nestes cartões-postais aumentou em 386% o número de homicídios  em 4 anos. Em Valença, o número de mortes violentas saltou de 14 em 2007 para 68 em 2010.

A cidade, com 89 mil habitantes, possui índice de 76 homicídios por 100 mil habitantes e está entre as 50 mais violentas das 5.565 existentes no país, segundo o Instituto Sangari. Em Cairu, no mesmo período, o número de homicídios aumentou de um para cinco. Os dados referentes a 2011 foram pedidos à Secretaria da Segurança Pública (SSP), mas o órgão não disponibilizou a estatística até o  fechamento desta edição.

Em Valença, segundo a delegada Ana Maria Mendes, da 5ª Coorpin, os responsáveis pela morte do PM e do morador são ligados ao grupo do traficante conhecido como “Caqui”, que domina o crime no bairro Bolívia.

“Tem muito consumo de drogas e acaba tendo muita guerra entre grupos rivais. Na Bolívia, grupos diferentes  brigam entre si em regiões como o Creme Sul e o Mangue Seco”, diz a delegada.

Ela destacou ainda que o consumo de drogas na área turística da Costa das Baleias, que compreende praias como Boipeba, Moreré, Gamboa e Morro de São Paulo, é intenso não somente entre os turistas. “Os próprios moradores consomem drogas”, frisou. Informações do Correio com foto do Ainda Hoje.

Leia também: Dois militares são baleados em troca de tiros próximo a Morro de São Paulo

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