Política & Economia

Herdeiros de Brizola se unem para retomar PDT

Na busca pelo comando do partido, os irmãos travam uma queda de braço com o presidente nacional da legenda, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, que mantém a sigla com mãos de ferro e forte influência política.

A disputa pelas rédeas do PDT se intensificou nos últimos meses e respingou na indicação do novo ministro do Trabalho. Partidários de Lupi minaram o nome do deputado federal Carlos Brizola Neto (RJ), o Carlito, para o cargo.

Deputada estadual no Rio Grande do Sul, Juliana tem visitado diretórios municipais gaúchos e costura um projeto de reconstrução do PDT. Paralelamente ao trabalho político, escreve um livro sobre o avô. O grupo de Juliana quer estender a reorganização da legenda para os demais estados do Sul e já mira no Sudeste. Os irmãos Brizola têm defendido eleições diretas para as executivas municipais, estaduais e nacional.

Das 27 representações estaduais do PDT, somente oito foram escolhidas por voto direto. O restante é controlado por comissões provisórias formadas por aliados de Lupi.

“O partido passa por uma crise e, para que ela seja superada, é necessário que o Brizolismo e o Trabalhismo sejam resgatados no partido”, diz Leonel Brizola Neto, vice-presidente da Câmara Municipal do Rio.

A queda de braço entre os dois grupos é travada nos bastidores do partido, que enfrenta uma crise de identidade, afirmam adversários de Lupi. Juliana, Leonel e Brizola Neto evitam embates públicos com os aliados do ex-ministro, que têm isolado politicamente os irmãos.

Nas reuniões internas, ambos os lados não poupam críticas mútuas. O grupo que acompanha os Brizola reclama que Lupi usaria sua influência política conquistada à frente do Ministério do Trabalho e cargos na pasta para conquistar aliados. Já seguidores de Lupi acusam os irmãos de não terem traquejo político e poder de articulação, mesmo usando o nome do avô.

A disputa pelo comando da legenda foi lançada pelos irmãos Brizola durante o congresso nacional do partido, promovido em setembro do ano passado. À época, eles foram vaiados por militantes ligados a Lupi, após Brizola Neto – que despertou para a política aos 16 anos, quando começou a trabalhar como secretário de seu avô – ter o nome sugerido para presidência do partido. Mas a busca pelo controle só foi intensificada após a crise que culminou com a saída de Lupi do Ministério e a indicação de um novo nome.

“Sou casado com minha mulher há 30 anos, todo dia a gente tem uma divergência. Se a gente que não tem divergência na vida a dois, não está vivendo. E na vida política é a mesma coisa. Num partido que tem mais de 1,2 milhão de filiados, um diretório nacional que tem 360 membros, como não vai ter divergência?”, indaga Lupi. Informações de O Globo. 

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