Política & Economia

Coité: Candidato do PT, Assis da Caixa afirma: “Não vou pecar pela omissão”

Os dois partidos farão a convenção que vai oficializar a parceria no próximo dia 29. Entretanto, o martelo ainda não foi batido sobre quem será o vice, mas a tendência é que o indicado pelo PMDB seja o próprio presidente municipal da sigla, o empresário Alex Lopes.

Assis da Caixa também fala sobre os projetos para Coité e afirma que a atual administração do prefeito Renato Souza (PP) não soube tirar proveito da aliança com os governos federal e estadual. “Foi um governo água com açúcar. Não se fez grandes projetos e alguns problemas se agravaram”. Leia abaixo a íntegra da entrevista.  

Pergunta – Já está marcada para o dia 29 de junho a data da convenção do PT que vai oficializar a sua candidatura a prefeito de Coité. O PMDB estará mesmo ao seu lado, com Alex da Piatã como vice na chapa?

 

Assis – Acredito que está tudo muito bem encaminhado para a união das oposições em Coité. Isso porque PMDB e PT estão falando a mesma língua, que é a de apresentar um projeto de governo que de fato dê um salto na qualidade de vida dos coiteenses e daqueles que escolheram nossa cidade para viver. Coité não quer e nem pode se contentar com pouco. Veja o que era o Brasil antes e depois que o PT e o PMDB decidiram dar as mãos e construir um país com mais justiça social e desenvolvimento econômico focado nas pessoas, e não apenas nas obras, no concreto. Tivemos conquistas sociais importantes, como o Bolsa Família, e, na área econômica, o Brasil deixou de ser dependente do FMI e aumentou consideravelmente o poder de consumo dos brasileiros. Milhões, com o PT e o PMDB no governo, saíram da condição de miséria absoluta. O que nos move em Coité é esse mesmo sentimento: queremos fazer um governo que dê mais dignidade às pessoas e mais orgulho pelo lugar onde elas vivem.

Pergunta – E Alex vai ser mesmo o seu vice?

 

Assis – Estamos conversando sobre isso. Alex seria um excelente vice. É um empresário de sucesso e um grande administrador, além de, como eu, amar Coité e querer o melhor para a cidade. Em 2008, estivemos em campos opostos, mas nos aproximamos muito depois das eleições de 2010, quando apoiamos, lado a lado, a candidatura de Dilma Rousseff e passamos a nos conhecer melhor. Percebemos, com o tempo, que temos uma grande afinidade de pensamentos e objetivos, movida, sobretudo, pelo desejo de construir e apresentar um projeto que tire a gestão pública em Coité do mofo.

Pergunta – Que projeto seria esse?


Assis –
 Ter uma prefeitura que governe para todos, sem perseguição política, e que saiba aproveitar a onda de crescimento social e econômico que invadiu a casa dos brasileiros nos últimos anos e não se refletiu em ações concretas e efetivas da prefeitura para garantir um salto de qualidade naquilo que importa, que é a saúde, a educação, o saneamento básico, o respeito ao meio ambiente e à cidadania. Pegue uma família carente em Coité e você vai encontrar duas realidades distintas e paralelas. Dentro de casa, essa família consegue planejar o seu orçamento para comprar uma geladeira ou uma televisão porque é contemplada pelos programas sociais do governo federal, gerando emprego e disseminando renda em todo município, na medida em que aquece o comércio. Mas, fora de casa, por deficiência da prefeitura, essa família tem sérias dificuldades para ter acesso a um sistema de saúde pública que funcione, uma escola que garanta um ensino de qualidade e em tempo integral, a saneamento básico e só é respeitada enquanto eleitor, e não como cidadão.

Pergunta – Mas o PP do prefeito Renato Souza integra a base dos governos federal e estadual?


Assis –
 Faz parte sim. E graças a isso a prefeitura tem feito uma série de obras, graças ao apoio dos governos do PT. Acontece que essa parceria não é aproveitada como deveria pela prefeitura, que não planeja o crescimento sustentável da cidade. Não há em andamento nenhum grande projeto que resolva os graves e mais profundos problemas que afligem os coiteenses, embora os recursos federais estejam disponíveis. Por que a prefeitura não aproveita essa parceria para resolver o problema do matadouro da cidade, que é uma questão de higiene pública? Por que não há nenhuma ação no sentido de acabar com o lixão da Lajinha? Por que não há um grande projeto de saneamento básico na cidade, onde as ruas são pavimentadas e os esgotos ficam a céu aberto? Por que não se despolui o Açude do Itaurandi? Por que Coité não tem uma UTI ou uma maternidade? No nosso governo, a gente vai responder a todas essas perguntas sinalizando para um futuro melhor porque não vamos ser omissos e não vamos nos contentar com pouco. Se a gente pode ter o pão, por que se contentar só com migalhas?

Pergunta – Alguns desses problemas são históricos, e não são culpa exclusiva do atual prefeito. 


Assis –
 Mas o governo é de continuidade. O atual prefeito faz parte do grupo que governa Coité há 40 anos. Ele conhecia bem os problemas da cidade antes de chegar ao poder. Foi vice-prefeito, foi secretário. E nada fez para resolver os graves problemas de nossa cidade. Pelo contrário, algumas áreas pioraram, e, por isso, Coité nunca foi palco de notícias tão ruins divulgadas pela imprensa nacional e estadual. O grande legado que a atual administração vai deixar é o do agravamento de problemas antigos, dos escândalos e da omissão, pois tenta colocar no colo da oposição a responsabilidade pelos equívocos do presente e do passado. Nós apenas fazemos nosso papel fiscalizador. Se Deus e o povo de Coité me der a oportunidade de ser prefeito, sei que não farei um governo perfeito, pois nem Jesus Cristo agradou a todos. Posso cometer equívocos, mas tenha certeza que a omissão não vai ser um deles. Vou agir como prefeito e assumir as minhas responsabilidades.

Pergunta – Você ainda teme o rótulo de radical, acha que ele pode atrapalhar os seus planos eleitorais?


Assis –
 Se defender as minhas convicções, aquilo em que acredito ser o melhor para Coité, é ser radical, então eu sou. Porque não sou político que, como muitos, ficam em cima do muro e não tomam posições. Acredito que a coragem é uma virtude para quem quer governar uma cidade como Coité. Se eu critico, denuncio os erros da prefeitura, é porque cumpro com meu papel de oposição. Afinal, não é esse papel, por exemplo, que o DEM exerce em relação aos governos federal e estadual? Não invento mentiras, não bato abaixo da cintura, porque tenho ética. Se eu chegar à prefeitura, como espero chegar em 2013, vou querer ter uma oposição ainda mais implacável do que aquela que é feita hoje pelo PT em Coité. E a minha postura vai ser bem diferente da atual administração. Não vou tampar os ouvidos, me esconder debaixo da cama, ou considerar toda crítica uma agressão, procurando culpados e fugindo da solução efetiva dos problemas. Quem tem a imaturidade de levar tudo para o lado pessoal não pode estar na política. 

Colaboração de Alexandre Reis

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