Justiça

Mensalão: Começa hoje o maior julgamento da história do país

Dividido em duas etapas, o julgamento do Mensalão, que deve atrair a atenção de todo o país, impressiona não só pelo número de réus, mas por sua duração, que deverá se estender por mais de um mês.

Nesta quarta-feira, foram acertados os últimos detalhes para a realização do maior julgamento da história do Supremo: foram proibidas manisfestações, uso do celular, conversas paralelas e consumo de alimentos e bebidas em plenário. Serão disponibilizados 243 assentos, mas os interessados podem acompanhar a sessão em telões instalados nas salas das turmas do STF, no anexo 2-B.

O início da sessão de hoje está marcado para as 14h, com a leitura dos relatórios do ministro Joaquim Barbosa – que resumiu seu voto de 122 páginas para apenas três – e do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, responsável pela acusação.

O procurador terá cinco horas para sustentar sua tese de que o pagamento aos parlamentares foi alimentado por desvio de recursos públicos e empréstimos fictícios junto a instituições financeiras privadas.

Depois, serão realizadas sessões diárias até o fim da primeira quinzena, reservada para a apresentação da defesa dos réus, com término previsto no dia 14. Em seguida, terá início a segunda etapa do julgamento, com três sessões semanais em que serão apresentados os votos dos 11 ministros.

Eles não terão limite de tempo para falar. Somente o voto do relator Joaquim Barbosa, que tem mais de mil páginas, deve durar três sessões, ou seja, aproximadamente 15 horas.

Procurador diz que todos devem ser condenados

Protagonista do primeiro dia do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse na quarta-feira que, para “ser feita a justiça”, o tribunal terá de condenar todos os réus do caso. “Creio que o Supremo fará justiça. E na visão do Ministério Público, justiça é condenar todos”, afirmou. Gurgel voltou a afirmar que as provas colhidas durante as investigações são “contundentes” e “falam por si”.

O procurador já traçou sua estratégia para a sessão desta quinta-feira (2). O ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do PT José Genoino e o publicitário Marcos Valério serão seus principais alvos.

Nas cinco horas reservadas para a acusação, Gurgel ressaltará a participação desse “núcleo político” e lembrará os principais fatos que comprovariam a existência da compra de votos no Congresso Nacional, estratagema que foi classificado como “o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”.

Assim como na denúncia, Dirceu será apontado como o “chefe de uma quadrilha”. O procurador dirá que ele, no comando na Casa Civil a partir de janeiro de 2003, montou e gerenciou a compra de apoio de partidos políticos, esquema tornado viável pela prática de diversos crimes, como corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha, evasão de divisas e gestão fraudulenta.  (Informações do Estadão).

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