
Após dois séculos de ausência, a arara-vermelha-grande voltou a se reproduzir na Mata Atlântica. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou, na última terça-feira, 28, o nascimento dos primeiros filhotes da espécie em vida livre no sul da Bahia.
O evento é um marco para o Projeto de Reintrodução coordenado pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Porto Seguro.
Embora a arara-vermelha-grande ainda habite as regiões Norte e Centro-Oeste, o desmatamento e o tráfico de animais causaram sua extinção no litoral brasileiro.
O retorno de um ícone da biodiversidade
A retomada começou em 2024, quando o primeiro lote de aves foi solto na Estação Veracel, uma das maiores Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) do país.
Surpreendendo os técnicos, a reprodução ocorreu ainda no primeiro ano de soltura. De acordo com Ligia Ilg, coordenadora do projeto e analista do Ibama, o monitoramento foi feito de forma remota para não estressar o casal.
“Essa estratégia permitiu constatar a eclosão de dois filhotes, que já realizam voos e começam a buscar o próprio sustento”, explica a especialista.
Papel ecológico e valor histórico
A presença da arara-vermelha-grande vai além da beleza descrita por Pero Vaz de Caminha em 1500. A ave atua como uma “jardineira da floresta”: por seu porte físico, ela consegue carregar sementes grandes por longas distâncias, sendo fundamental para a regeneração da Mata Atlântica.
O projeto agora busca expandir o bando. Instituições ambientais, zoológicos ou tutores legalizados que desejem colaborar com a cessão de aves para reabilitação e soltura podem entrar em contato com o Ibama através do e-mail ligia.ilg@ibama.gov.br.
Fonte: A Tarde



