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Apagão: Corte de energia em projetos irrigados gera colapso e expõe crise no Vale do São Francisco

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Uma crise energética que se arrasta há anos ganhou um capítulo dramático no Vale do São Francisco. O desligamento forçado do fornecimento de energia elétrica nos projetos irrigados Brígida e Itaparica, promovido pela concessionária Neoenergia Pernambuco, provocou um verdadeiro colapso econômico e social na região, deixando municípios inteiros às escuras e ameaçando a subsistência de milhares de famílias de agricultores familiares.

O impacto mais severo foi registrado em Santa Maria da Boa Vista e Orocó, em Pernambuco, além de reflexos em cidades vizinhas e na Bahia (como o município de Abaré). A suspensão da eletricidade nas subestações paralisou imediatamente as bombas de captação de água que abastecem as lavouras e, por consequência, interrompeu o fornecimento de água potável para consumo humano.

Para as mais de 5 mil famílias assentadas no Sistema Itaparica — reassentadas na região desde o final da década de 1980 devido à construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga —, a falta de luz representa um decreto de falência. Em pleno Sertão pernambucano, poucas horas sem irrigação são suficientes para queimar plantações inteiras de banana, manga, coco e cebola sob o sol escaldante.

A água não chega para as plantas e nem para a gente beber. Ver o fruto de meses de trabalho morrer de sede sem podermos fazer nada é desesperador“, relatou um produtor do Projeto Brígida.

A gravidade do problema levou prefeitos da região a virem a público cobrar socorro imediato. Em Santa Maria da Boa Vista, o apagão generalizado e o risco de desabastecimento urbano geraram forte indignação. Diante do impasse e sem respostas concretas, os produtores rurais iniciaram intensos protestos, bloqueando trechos estratégicos das rodovias BR-428 e BR-116 como forma de chamar a atenção das autoridades estaduais e federais.

A Neoenergia alegou que os desligamentos na Subestação Brígida ocorreram de forma emergencial por razões técnicas de segurança e intervenção de terceiros. No entanto, os irrigantes apontam que a raiz do problema é o fantasma de uma dívida milionária crônica. A Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba), responsável pela infraestrutura física, enfrenta sérias restrições orçamentárias federais para arcar com os custos de energia do sistema de uso comum, gerando um histórico recorrente de inadimplência e ameaças de corte.

Diante do iminente desastre econômico, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, interveio diretamente junto à Neoenergia e ao Governo Federal. Após intensas negociações, a energia foi restabelecida e o bombeamento de água foi retomado, trazendo um alívio momentâneo aos perímetros irrigados. Embora as luzes tenham se acendido e a água voltado a correr nos canais, o clima na região é de extrema desconfiança. Lideranças sindicais e produtores alertam que acordos temporários e a quitação parcial de débitos por emendas ou repasses emergenciais são apenas “remédios paliativos”.

O setor produtivo do Vale do São Francisco exige agora que o Governo Federal, a Codevasf e a concessionária estabeleçam um modelo de gestão sustentável e definitivo. O receio geral é de que, assim que os holofotes da crise se apaguem, o fantasma do racionamento e dos cortes volte a assombrar o motor econômico do Sertão.

Fonte: Blog Carlos Britto / Foto: Divulgação/ WhatsApp leitor

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