
O velório e sepultamento do sanfoneiro Godealdo de Jesus, mais conhecido por Dinho dos Malvadinhos do Forró, foi marcado por muita emoção, um misto de tristeza e alegria ao mesmo tempo. A pequena capela do Hospital Municipal de Tanquinho ficou apertada ante a quantidade de pessoas que compareceram ao ato fúnebre.
Além da presença de praticamente todos os integrante e ex-integrantes do grupo Malvadinhos do Forró, a cerimônia de despedida de Dinho foi acompanhada por dezenas de artistas de Riachão do Jacuípe e da região, além de comunicadores como Evandro Matos (Diretor da Rádio Jacuípe FM) e Olivan Cedraz, atualmente na assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal.
Entre os presentes estavam também o prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos, a primeira-dama Alessandra Carneiro, bem como o presidente da Câmara Municipal, Franklin Santana, além de lideranças políticas de Tanquinho, como Valmik Vilas Boas, vereadores e artistas locais.
Emocionados durante todo o velório, os atuais cantores Evandro e Vane já pressentiam o peso da responsabilidade de conduzir e manter o grupo ativo, que sempre foi a vontade do seu fundador. Certamente por isso nem conseguiram cantar as músicas entoadas pelos presentes durante o velório, que teve destaque especial para Ciganinha, o carro-chefe do grupo.
Um grande artista, um homem simples
Apesar de grande sanfoneiro de 8 baixos, Dinho era um homem simples. De palavras medidas e contidas, nunca alterava a voz e sempre tinha o dom da conciliação. “Quando eu cheguei no grupo, ele me deu toda força, me acolheu e sempre procurou me incentivar. Era um homem sem vaidades, simples, que procurava ajudar todo mundo”, disse Marivone, que foi back-vocal do grupo.
“Eu admirava muita ele, mas a sua simplicidade e senso de justiça eram coisas bem destacadas. Você acredita que mesmo sendo o líder e fundador do grupo, até na hora de dividir o dinheiro, de fazer os pagamentos, ele dizia que todo mundo tinha o mesmo direito, que, por ele, dividia o valor para todos, independente do que cada um fazia na banda?”, acrescentou Marivone.
“Seu Dinho era demais, ele quase não ligava pra nada e não tinha vaidade. Ele é que nunca quis, mas, se quisesse, Os Malvadinhos tinham condições de ter gravado e aproveitado mais o potencial. Porque eles eram bons e procurados em todo lugar. Se ele quisesse ter avançado mais, teriam ido longe. Mas ele mesmo me disse que queria ficar por aqui, fazer os shows dele e tocar o forró pé-de-serra que ele tanto gostava”, revelou o cantor Itamar Carneiro, que também já fez parte do grupo e fez questão de estar na cerimônia de despedida.
Últimos dias
Apesar de não aparentar ter problemas graves de saúde, nos últimos anos, Dinho havia sofrido três AVCs, o que teria motivado a família a pedir o seu afastamento do grupo. Segundo informações, o sanfoneiro continuaria como sócio do grupo, mas não participaria mais das apresentações. No São João de 2025, por exemplo, ele já tocou sentado numa cadeira.
Assim, diante dessa realidade, Dinho passou a morar com uma filha na região de Jaguara, que fica no limite de Tanquinho com Feira de Santana. A partir de então, a sua rotina passou a ser no campo e sempre ao lado da sanfona. “Ele estava bem, tanto que vinha receber o dinheiro de sua aposentadoria aqui em Riachão”, revelou Marivone, muito abatida com a morte do líder. (Foto enviada por Joãozinho dos 8 Baixos, na visita a Dinho).
Apesar disso, no dia 30 de maio (sábado), Dinho sentiu-se mal e foi levado para o Hospital Municipal de Tanquinho, mas logo foi liberado. No dia seguinte, o domingo (31 de maio), ele voltou a sentir incômodos e foi levado novamente para o hospital, onde ficou internado até vir a óbito na segunda-feira (01 de junho), à noite. “Ele morreu nos braços de sua esposa. Segundo informações hospital, Seu Dinho havia sofrido um infarto fulminante”, informou Marivone.
Em um áudio para o sanfoneiro Joaozinho dos 8 Baixos, que visitou Dinho recentemente, a filha revela como foram os últimos dias do seu pai. “Na sexta-feira (29 de maio), aqui estava uma alegria, ele tocou para uns vizinhos da gente, na casa de meu padrinho. E foi o dia todo naquela alegria que a gente nunca esperava uma coisa dessa. Mas foi muito rápido, né. A gente tem que pedir força a Deus para que Ele console a gente. Foi muito triste”, lamentou a filha.



