
O cineasta baiano Orlando Senna morreu nesta terça-feira (9), aos 86 anos. A informação foi confirmada por familiares e divulgada nas redes sociais do realizador. A causa da morte não foi informada.
Nascido em Afrânio Peixoto, distrito de Vitória da Conquista, Orlando Senna construiu uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada ao cinema, à televisão e à gestão cultural. Considerado um dos nomes mais importantes do audiovisual brasileiro, atuou como diretor, roteirista, escritor e gestor público.
A morte foi anunciada pela sobrinha, Indra Rocha, que prestou homenagem ao cineasta nas redes sociais. Ela destacou a dedicação de Orlando à arte, à cultura e à formação de novas gerações de profissionais do audiovisual.
No último domingo (7), Senna participou de uma sessão de cinema no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, onde foi fotografado ao lado do ator Antônio Pitanga.
Autor de um clássico do cinema brasileiro
Ao lado do cineasta Jorge Bodanzky, Orlando Senna dirigiu o longa-metragem Iracema – Uma Transa Amazônica, lançado em 1975. Misturando documentário e ficção, a obra retrata as transformações sociais e ambientais provocadas pela construção da Rodovia Transamazônica e se tornou um marco do cinema nacional.
O filme enfrentou restrições durante a ditadura militar e ajudou a consolidar Orlando Senna como um dos principais realizadores do país.
Sua carreira começou ainda na Bahia, como assistente de direção de Roberto Pires no filme Tocaia no Asfalto. Mais tarde, dirigiu curtas-metragens, trabalhou com teatro e participou de diversas iniciativas culturais em Salvador.
Seu primeiro longa-metragem como diretor foi A Construção da Morte. Posteriormente, comandou produções como Gitirana e Diamante Bruto.
Além da direção, também assinou roteiros para importantes nomes do cinema brasileiro, entre eles Hector Babenco, Geraldo Sarno e Ruy Guerra.
Atuação em políticas públicas
Orlando Senna também teve papel de destaque na formulação de políticas públicas para o setor audiovisual.
Em 2002, atuou como subsecretário de Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. No ano seguinte, assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura durante a gestão do então ministro Gilberto Gil, no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre 2007 e 2008, esteve à frente da direção-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), participando do processo de estruturação da TV Brasil.
O cineasta também manteve forte relação com Cuba, onde atuou como professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños.
Viúvo da atriz e documentarista Conceição Senna, falecida em 2020, Orlando deixa um legado marcado pela defesa do cinema brasileiro, pela formação de novos profissionais e pelo fortalecimento das políticas de incentivo à produção audiovisual no país.
Fonte: Informe Baiano



