

A VII Feira Literária Internacional de Canudos (Flican) consolidou a cidade do sertão baiano como um dos principais territórios de debate sobre literatura, memória e identidade cultural. Encerrado no último fim de semana, o evento reuniu escritores, pesquisadores, historiadores, cineastas e milhares de visitantes, além de movimentar a economia local e ampliar as discussões sobre a reparação histórica do povo de Canudos.
Durante quatro dias de programação, a feira promoveu cafés literários, rodas de conversa, lançamentos de livros, apresentações culturais e atividades voltadas à cidadania e à saúde. Somente no último dia, as participações da escritora Conceição Evaristo e do escritor indígena Daniel Munduruku atraíram mais de quatro mil pessoas ao município.
Segundo o curador da Flican, professor Luiz Paulo Neiva, o evento teve impacto direto na economia da cidade. “A movimentação refletiu diretamente na economia. Todos os hotéis ficaram lotados, com reservas esgotadas há mais de dois meses. Dezenas de casas foram alugadas para receber visitantes, um camping acolheu o público excedente e um colégio hospedou diariamente cerca de 400 estudantes”, afirmou.
De acordo com a organização, restaurantes, bares, supermercados e farmácias registraram aumento no faturamento durante o período da feira. Comerciantes relataram receitas equivalentes a até três meses de funcionamento em apenas quatro dias de evento.

A agricultura familiar e o artesanato regional também foram beneficiados com a realização da Flican. Ao todo, 51 boxes foram destinados à comercialização de produtos locais, fortalecendo a geração de renda para produtores e artesãos.
Literatura, memória e identidade
A programação da sétima edição reuniu mais de cinco cafés literários, 15 rodas de conversa com pesquisadores, escritores e intelectuais, além do lançamento de obras de mais de 30 autores.
O evento também contou com a participação de estudantes de 20 municípios, que apresentaram projetos desenvolvidos em suas escolas. A produção artística de Canudos ganhou destaque com a presença de praticamente todos os cantores e compositores do município na programação cultural.

Um dos principais eixos da feira foi o debate sobre a reparação histórica ao povo de Canudos. Mesas de discussão ampliaram a mobilização em torno do Manifesto à Nação Brasileira, documento que reivindica o reconhecimento das consequências históricas da Guerra de Canudos e a valorização da memória da população local.
A programação reuniu ainda nomes como os cineastas Miguel Gomes e Antônio Olavo, o especialista em Os Sertões Leopoldo Bernucci e a escritora, professora e psicóloga Maria de Lourdes Ornellas, fortalecendo o diálogo entre literatura, história e pensamento social.
Serviços gratuitos aproximaram população e políticas públicas
Além das atividades culturais, a Flican promoveu ações de cidadania e saúde para moradores e visitantes. O Ministério Público do Estado da Bahia participou do evento com o projeto MP Comunidade, oferecendo serviços gratuitos como emissão de segundas vias e retificação de certidões, reconhecimento de paternidade por meio de exames de DNA e outros atendimentos.
A Prefeitura de Canudos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, também disponibilizou serviços como aferição de pressão arterial, medição de glicemia e testes rápidos para HIV.
Para a organização, a feira reafirma o papel de Canudos como um espaço de preservação da memória e produção de novos conhecimentos, unindo cultura, desenvolvimento econômico e fortalecimento da identidade regional.
Fonte: Portal Umbu



