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Lulinha temia ser investigado, fugiu e colocou a mulher para administrar os bens

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Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é o filho mais velho do segundo matrimônio do presidente Lula com Marisa da Silva. Nascido em São Bernardo do Campo, não se interessou pela política e seu primeiro emprego foi trabalhar como monitor no Parque Zoológico de São Paulo. Nada indicava que rapidamente fosse ficar milionário, a ponto de o pai considerá-lo um fenômeno empresarial. (Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Esse sucesso começou em 2004, quando Lula ocupava a Presidência da República pela primeira vez, Lulinha uniu-se aos amigos Fernando e Kalil Bittar, filhos do prefeito petista de Campinas, Jacó Bittar, para criar a empresa Gamecorp, dedicada ao setor de entretenimento digital. De lá para cá, o fenômeno deslanchou.

FAVORECIMENTO – Desde o início, a Gamecorp tornou-se suspeita de favorecimento por tráfico de influência, porque o grupo OI de telefonia resolveu investir R$ 103 milhões na empresa dos jovens petistas, que assim se tornaram milionários da noite para o dia, literalmente.

Para usar uma expressão da preferência do presidente Lula, pode-se dizer que se tratava de uma flagrante maracutaia, mas não houve investigação e os três jovens passaram a curtir a vida adoidado. Afinal, R$ 100 milhões rendem mais de R$ 1 milhão por mês.

Somente na Operação Lava Jato, iniciada em 2014, as autoridades resolveram investigar o rápido enriquecimento desses filhos de políticos petistas. E a Polícia Federal rapidamente encontrou um verdadeiro festival de corrupção.

TUDO EM FAMÍLIA – A investigação comprovou que o tráfico de influência e a lavagem de dinheiro eram  marcas registradas da família Lula da Silva, pois não havia exceção, todos os quatro filhos estavam envolvidos.

Fábio Luís, o Lulinha, foi alvo de análises financeiras e investigações sobre repasses e relações empresariais; Luís Cláudio teve sua trajetória empresarial devassada na Operação Zelotes, na qual respondia a uma ação penal; Sandro Luís também teve empresas e repasses investigados pela Lava Jato; e Marcos Cláudio Lula da Silva foi incluído em inquéritos de varredura patrimonial.

Lulinha era o principal investigado, porque também participara na negociação do sítio de Atibaia, em que seus sócios, os irmãos Bittar, atuaram como “laranjas” do presidente Lula.

IMPUNIDADE TOTAL – Com o conluio para libertação ilegal de Lula em 2019 e a anulação das condenações dele em 2021, os quatro filhos não tardaram a escapar das garras da lei. Assim, em 2022, a Justiça Federal de São Paulo arquivou as investigações da Operação Lava Jato contra Lulinha e seus três irmãos. Um alívio em família.

Apesar do risco que correram, eles continuaram fazendo tráfico de influência e desfrutando a doce vida de milionários. Tudo corria bem, com impunidade garantida, até que a CPI do INSS descobriu que Lulinha movimentara quase R$ 20 milhões em quatro anos.

Conforme dados da quebra de sigilo, o valor engloba cerca de R$ 9,77 milhões em entradas e R$ 9,75 milhões em saídas entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026.

FUGA RÁPIDA – Lulinha viu que desta vez o problema era mais sério, porque o pai não conseguiu controlar o relator no Supremo, ministro André Mendonça. No dia 4 de dezembro, ficou sabendo que integrantes da CPMI do INSS acessaram o depoimento de Edson Claro, ex-funcionário do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS), que denunciou a mesada de R$ 300 mil que Lulinha recebia do lobista.

O filho de Lula decidiu fugiu para a Espanha. Antes de viajar definitivamente, no começo de dezembro, ele passou a administração de suas empresas para a mulher, Renata de Abreu Moreira.

Agora, com as duas investigações abertas por Mendonça, o filho fenômeno de Lula não vai mais voltar ao Brasil. Se fosse inocente, é claro que não precisaria fugir.

P.S. – O Brasil é um país tão surrealista que as autoridades e suas famílias podem se corromper à vontade, porque a impunidade está garantida. Basta ver o que aconteceu a Sérgio Cabral, condenado a cerca de 350 anos de prisão, que está livre, leve e solto, aproveitando os muitos milhões de reais que a Polícia não conseguiu recuperar. Aqui no Brasil o crime compensa. (C.N.)

Carlos Newton / Tribuna da Internet

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