
Encerrada no último sábado, 01 de agosto de 2026, a Feira Literária Internacional de Canudos – Flican 2026, foi considerada como a melhor entre todas as edições já realizadas. O balanço foi feito pelos organizadores logo após o encerramento do evento, mas com o respaldo da população.
Durante a Feira Literária, quem circulava pela Avenida Antonio Conselheiro, a principal da cidade e palco do evento, percebia a felicidade no semblante dos canudenses e dos visitantes, que também concordavam com a homenagem a Dona Duru. Assim, a
ideia era de pertencimento, orgulho e cidadania, que comungava com o tema “Literatura e Soberania”
Portanto, a conclusão de que esta foi a melhor edição da Flican não foi tirada apenas pela repercussão das ruas da cidade ou pela opinião de qualquer intelectual. Ela veio da prática, onde se viu muita gente circulando e participando, mesas de debates com temas riquíssimos e debatedores altamente qualificados, uma quantidade e variedade maior de livros expostos e à venda, espaço
de leitura para as crianças (a Flicanzinha), e barracas de produtos da região ampliando os negócios e movimentando a economia do município.
Tudo isso com uma pitada de artistas da terra como Bião de Canudos pregando seus versos e fazendo o povo se apaixonar pela figura de Antônio Conselheiro, reforçada com os quase canudenses Fábio Paes e sua filha Jurema ecoando suas vozes do “Salve Canudos” pela grande avenida, ou Pingo de Fortaleza com o seu “Centauros e Canudos”. E dali também se ouvia outras vozes e ruídos, vindos do povo: “O Sertão vai virar arte!”.
Grandes momentos
Sim, e quando se quer falar algo que represente uma síntese dos melhores momentos da Flican 2026, não se pode deixar de atribuir esse sucesso ao grande trabalho do curador Luiz Paulo Neiva e sua equipe, que conta com nomes como Elane Geraldo, Lequinho, João Batista e tantos outros. E é o que explica essa nota divulgada pela organização logo após o encerramento:
“A Flican 2026 foi encerrada com sucesso e brilhantismo nesse sábado (01/08), mas já estamos organizando a 8ª edição para 2027.
Por enquanto, celebramos os resultados exitosos, ao ter colocado as atenções a escola, a memória e a reparação histórica ao povo de Canudos, a formação de novos autores e novos leitores. Celebramos definitivamente como um dos principais eventos culturais do interior da Bahia, unindo literatura, história, memória e desenvolvimento regional. As conquistas foram marcadas pela forte participação popular, agricultura familiar e artesanato, programação robusta e grandes convidados, entre eles Conceição
Evaristo, Daniel Munduruku, Maria de Lurdes Ornelas, Antônio Olavo, Miguel Gomes, Ana Fátima, Leopoldo Bernucci e Adriana Fontes, entre outros nomes em destaques na literatura e do cinema. Mas, tudo isso graças ao apoio e colaboração de pessoas, estudiosos e entidades, tais como: UNEB, Secretarias do Estado: Educação, SECTI, SECULT; SETUR; MPBA; FPC; IPMC e Prefeitura Municipal de Canudos. Contamos ainda com apoio cultural da Biodiversitas, Seguradora UNIMED, do Posto Araras, da Associação Cultural Bendegó e Canudos. Em 2027, o sertão vai virar arte, novamente!”.
Para reforçar, destacamos outros momentos que também contribuíram para o enriquecimento da Flican 2026. Um deles foi a mesa com as quatro autoridades do Poder Judiciário quando foi debatida a Reparação Histórica de Canudos: estado da arte e perspectivas. Além do oportuno debate e com a presença de autoridades que certamente ajudarão a destravar o processo, eis que surge, no final, um novo “Águia de Haia” e silencia o Espaço Bello Monte. O cineasta Antônio Olavo pediu a palavra e fez uma defesa da causa tão eloquente que instantes depois lhe rendeu momentos com fotos, abraços e comentários pelos corredores da
Feira.
“Depois desta fala de Olavo, ninguém precisa falar mais nada, não tem como”, gritou uma voz da plateia, logo identificada como de Genário Rabelo de Alcântara Neto, conhecido por Geo., ex-prefeito da cidade, dirigindo-se ao mediador da mesa, que havia franqueado a palavra.
Cabe ainda destacar a participação da consagrada escritora Conceição Evaristo, que provocou filas para autógrafos no último dia, mesmo com o horário da fome batendo à porta de professores, estudantes, pesquisadores e admiradores que se fizeram presentes. E nem mesmo sendo a maior referência feminina da literatura brasileira da atualidade, ela deixou de permanecer sentada para prestigiar a fala de Daniel Munduruku, reforçando esse momento grandioso da Flican.
Por fim, foram tantas mesas de debates ricos e tantos temas discutidos que passaríamos um dia para enumerá-los. Mas dá tempo ainda de citar o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia (EUA), que na defesa do tema “Soberania, Território e República: Canudos e os Limites do Poder do Estado no Brasil” disse que Canudos foi soberano quando resistiu às tropas do Exército; ou destacar Manoel Neto (CEEC/UNEB), que no lançamento do Manifesto à Nação: Reparação Histórica ao Povo de Canudos fez uma defesa emocionante do projeto.
Confira abaixo alguns depoimentos de pessoas que participaram de Flican 2026, comprovando esse quadro de avaliação positiva apresentado acima:
“Canudos mostrou mais uma vez que é uma história mobilizadora. Esta VII Flican foi um evento que chamou a atenção pela grande participação de pessoas de várias regiões e principalmente de estudantes das redes públicas dos municípios vizinhos. Foram 4 dias intensos com programação de alto nível, para todos os gostos. Entre os muitos acontecimentos marcantes da feira, destaco a enorme receptividade recebida pelo Manifesto à Nação Brasileira pela Reparação Histórica ao Povo de Canudos, que lá foi lançado e muito ampliou seu alcance, potencializado o importante movimento por uma justa reparação ao povo canudense, que efetivamente foi quem mais sofreu os danos e sentiu as dores do massacre praticado em 1897 pelo Exército brasileiro. Parabenizo, em nome do professor Luiz Paulo Neiva, toda a equipe de organização da FLICAN e fico na torcida para que venham outras edições fortalecedoras dessa grandiosa e encantadora memória histórica de Canudos” (Antonio Olavo, cineasta e diretor da Portfoliun).

“Parabéns a todos. Uma menção especial aos organizadores da Flican, sob a curadoria do professor Luís Paulo, pelo magnífico trabalho. Participarmos deste evento grandioso, muito nos honrou”, Manoel Neto, historiador e coordenador do CEEC/UNEB.

“Todos que participaram da organização da Flican estão de parabéns. Foi a melhor das sete. Tenho certeza que só vai ser superada pela próxima. Todos estão de parabéns! Só queria destacar o responsável por essa arte. Porque foi impressionante como em todas as atividades dona Duru (imagem acima) parecia estar presente, escutando atentamente, como sempre fazia quando ia nos eventos ou nas conversas. Digamos que o artista arrasou!”, Socorro Araújo, jornalista canudense.

A FLICAN edição 2026 foi uma das melhores. Celebramos juntos a literatura, a leitura e o livro. Foram mais de 20 lançamentos de livros com temas que se relacionavam com Canudos, Sertão, resistência, diversidade, Neuro divergências entre outros. Trouxe inúmeras mesas para discutir uma educação Anti Racista, fortalecendo ainda mais as lutas. São muitos pontos de confluências, encontros que possibilitaram um outro olhar a partir de Canudos, de dentro pra fora. As mesas em que nós canudenses participamos trouxeram notoriedade para os pesquisadores e pesquisadoras do tema. Parabéns ao Criador Professor Luiz Paulo Neiva, a Elane pela Coordenação e todos, todas e todes que se engajaram e estiveram juntos nesse grande e importante evento, histórico e necessário para continuarmos celebrando a arte, literatura e a cultura brasileira, nordestina e canudense”, João Batista, historiador / Campus Avançado de Canudos / UNEB.

Mirei Flican assentada na diversidade de temas pela via de várias culturas, histórias, expressões plurais das representações sociais e interculturais. As transmissões em torno das matrizes africanas, os povos originários, a cultura popular, intelectual e a educação, fomentaram debates alvissareiros em torno da arte e da soberania dos povos. O Grupo Canudos Memória Eterna presentes e desejantes realizaram redes de apoio ao Manifesto à Nação Brasileira pela Reparação Histórica ao Povo de Canudos deixando o aroma espalhado na pele, corpo e ânima canudense e participantes presentificados ao evento”, Maria de Lourdes Ornellas / Professora / UNEB).

“Parabéns à organização de mais uma Flican. O sertão foi palco, tema e provocadora de ações culturais e políticas brasileiras. Sigamos em frente. Viva Canudos e o Conselheiro. Agradecido!”, Adeítalo Pinho /UEFS.
Por Evandro Matos / Jornalista



