Mesmo preso e com o registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral, o deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (Avante), recebeu mais de 23 mil votos na disputa pela reeleição para a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Os votos aparecem como anulados sub judice enquanto a situação da candidatura é discutida na Justiça.
Binho Galinha está preso preventivamente desde 2025, em decorrência de um desdobramento da Operação El Patrón. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) decidiu, por unanimidade, indeferir o registro da candidatura. O julgamento acolheu o pedido apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que apontou suposta ligação do parlamentar com uma organização criminosa.
A ação do MPE citou quatro processos criminais e sustentou que Binho Galinha ocuparia posição de liderança em uma organização criminosa estruturada e permanente. O órgão também invocou entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de barrar candidaturas relacionadas à atuação de grupos criminosos no processo eleitoral.
Além da discussão eleitoral, o deputado foi condenado em uma ação decorrente da Operação El Patrón por crimes previstos no Estatuto do Desarmamento. Segundo o MPF, as penas somam 36 anos e 9 meses de prisão, envolvendo posse ilegal de armas e munições, inclusive de uso restrito, além de armamentos com sinais identificadores adulterados ou suprimidos e acesso de adolescente a arma de fogo.
A Operação El Patrón foi deflagrada em 2023 para investigar uma organização criminosa com atuação em Feira de Santana e suspeita de envolvimento em atividades como lavagem de dinheiro, agiotagem, extorsão e exploração do jogo do bicho. Posteriormente, a Operação Estado Anômico investigou novos desdobramentos do grupo e resultou na prisão preventiva de Binho Galinha, segundo o Ministério Público Eleitoral.
A defesa de Binho contesta as acusações e o uso das investigações para impedir sua candidatura. Os advogados sustentam que não há condenação definitiva pelos crimes relacionados à organização criminosa e questionam a validade de parte das provas utilizadas no processo eleitoral. Após a decisão do TRE-BA, a defesa recorreu e a candidatura segue sob análise da Justiça Eleitoral.
Por Wendel de Novais/ Jornal Correio



