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Professores estão entre categorias mais afetadas pelo adoecimento mental, avalia psicóloga

A psicóloga Paula Brito Vasconcelos explica que é importante diferenciar o cansaço comum da rotina de um quadro de esgotamento.

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Em alusão ao Dia dos Professores, comemorado nesta quinta-feira (15), o debate sobre a saúde mental dos docentes ganha destaque diante de uma rotina cada vez mais desgastante. Entre aulas, planejamentos, correções e outras demandas que ultrapassam o ambiente escolar, professores enfrentam sobrecarga de trabalho, cansaço mental, desvalorização da carreira e mudanças nas relações entre diferentes gerações, fatores que podem pesar sobre a saúde mental, segundo a psicóloga Paula Brito Vasconcelos.

Em entrevista ao Acorda Cidade, a psicóloga explicou que o professor muitas vezes ultrapassa os limites da jornada de trabalho e continua exercendo atividades profissionais em casa. Ela também destaca os impactos deixados pela pandemia, quando muitos profissionais passaram a trabalhar durante manhã, tarde e noite.

“Quando eu falo de sobrecarga, eu estou falando de um professor que leva trabalho para casa, por exemplo, que não desliga. E vamos lembrar da pandemia, né? Na pandemia o professor trabalhava de manhã, trabalhava de tarde e trabalhava de noite.”

Psicóloga Paula Brito Vasconcelos | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

A psicóloga explica que é importante diferenciar o cansaço comum da rotina de um quadro de esgotamento. Entre os sinais que merecem atenção estão a dificuldade para descansar, a mente acelerada, alterações na concentração, atenção e memória, queda no rendimento e a sensação de não se reconhecer mais.

“Quando eu não consigo, por exemplo, descansar no domingo, a gente precisa ficar atento. Quando a gente para descansar e não descansa. A cabeça fica acelerada o tempo todo, é muito importante ficar atento a esse lugar.”

Paula recomenda a busca por acompanhamento profissional e alerta para os riscos da automedicação.

“A automedicação não é algo que nós negociamos. Perigos diversos, então não, não vamos viver esse processo. ‘Ah, minha amiga tem um remedinho aqui na bolsa, serve para ela, serve para mim’. De maneira nenhuma.”

O adoecimento também pode interferir no desempenho do professor em sala de aula, mas a psicóloga ressalta que a responsabilidade não deve ser colocada exclusivamente sobre o profissional. “O gestor é uma figura protagonista. Se eu cuido bem do meu professor enquanto gestor, eu estou cuidando da escola, eu estou cuidando dos meus alunos também”, afirmou.

Para cuidar da saúde mental, Paula aponta três caminhos: autoconhecimento, compreensão dos próprios limites e atenção aos sinais de adoecimento.

“Ponto de partida número um: autoconhecimento. Saber quem eu sou, reconhecer os meus limites, perceber também as minhas possibilidades. E ponto número três: ser vigilante no seu processo de saúde.”

Fonte: Acorda Cidade

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