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Cansanção: Prefeita volta atrás e cancela nomeação da filha para chefia de gabinete

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A prefeita de Cansanção, Vilma Rosa de Oliveira Gomes (MDB), revogou a nomeação da própria filha, Pollyanna Oliveira Gomes, para o cargo comissionado de chefe de gabinete da administração municipal. A decisão foi oficializada pela Portaria nº 079/2026, publicada no Diário Oficial do Município nesta quinta-feira (22), sem apresentar justificativas para o recuo.

A nomeação havia levantado questionamentos sobre possível nepotismo, prática relacionada ao favorecimento de parentes na ocupação de cargos públicos. A Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF) estabelece restrições à nomeação de parentes até o terceiro grau para cargos comissionados e funções de confiança. Embora a jurisprudência preveja particularidades para determinados cargos políticos, a chefia de gabinete administrativo não está automaticamente abrangida por essas exceções.

Até a publicação desta matéria, a Prefeitura de Cansanção e Pollyanna não haviam se manifestado sobre os motivos da revogação nem informado quem assumirá a função.

Família foi condenada por lavagem de dinheiro – Em agosto de 2024, Vilma, Pollyanna e o ex-prefeito Ranulfo da Silva Gomes, marido da atual prefeita e pai de Pollyanna, foram condenados pela Justiça Federal por lavagem de dinheiro.

Vilma e a filha receberam penas de 7 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, cada uma. Ranulfo foi condenado a 9 anos, 10 meses e 3 dias.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os três participaram de um esquema de ocultação de recursos públicos desviados entre 2011 e 2014, período em que Ranulfo comandava a Prefeitura de Cansanção. O esquema investigado teria movimentado mais de R$ 26,5 milhões.

As apurações fizeram parte da Operação Making Of, deflagrada em novembro de 2015 para investigar suspeitas de fraudes em contratos firmados entre o município e empresas ligadas ao então prefeito e a familiares.

Na época, Vilma ocupava o cargo de secretária municipal de Saúde, enquanto Pollyanna administrava a Taveira Comercial de Combustíveis, uma das empresas investigadas.

De acordo com a Justiça Federal, contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas teriam sido utilizadas para movimentar os recursos e dificultar a identificação da origem do dinheiro. As investigações também apontaram irregularidades em licitações municipais, incluindo falta de competitividade e restrições à participação de outras empresas.

Na sentença, o juiz federal Fábio Moreira Ramiro, da 2ª Vara Federal Criminal de Salvador, concluiu que movimentações financeiras entre empresas ligadas à família tinham o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.

O processo foi encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em 28 de abril de 2025, para análise dos recursos apresentados contra a sentença. A Justiça Federal não informou se os recursos já foram julgados ou se houve alguma alteração nas condenações.

Patrimônio declarado – Vilma Gomes, conhecida como “Mamãe”, foi eleita prefeita pela primeira vez em 2020, quando recebeu 12.082 votos, o equivalente a 54,35% dos votos válidos. Quatro anos depois, em 2024, foi reeleita com 17.229 votos (73,51%).

Nas eleições municipais de 2024, Vilma declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 128.428,29.

A maior parte do valor correspondia a participações em três empresas: R$ 50 mil em quotas da MV Vistorias Ltda.; R$ 50 mil na R S Gomes Transportes e Logística Ltda.; e R$ 20 mil na Madeireira Gomes Ltda.

A declaração também incluía R$ 8.428,29 em saldo de poupança no Bradesco. Os valores correspondem ao patrimônio informado pela prefeita à Justiça Eleitoral naquele ano.

Fonte: Portal do Cleriston Silva

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