Política & Economia

João Henrique reafirma candidatura ao governo do Estado: ‘Voltarei em 2014’

Em entrevista ao CORREIO, concedida ontem no Palácio Thomé de Souza, ele assegurou que “já está definida” sua candidatura ao governo do estado em 2014.

 Lembrou de seu pai, o ex-governador e hoje senador João Durval (PDT), e da ex-prefeita e senadora Lídice da Mata (PSB), para afirmar que sua atual rejeição é passageira. Para continuar em evidência, pretende virar um comunicador porque, segundo diz, precisa passar sua experiência para as “novas gerações”.

Ao falar das contas de sua gestão que podem ser reprovadas pelos vereadores, cobra fidelidade. Entre observações sobre política, João fez questão de exibir a aliança dourada da nova união e dizer que está bem mais feliz.

Vamos começar pela eleição. As candidaturas postas até o momento são de partidos que em algum momento ajudaram na sua gestão. Te incomoda receber ataques que venham destes partidos?

Não, o jogo político é muito dinâmico. O aliado de hoje é o adversário de amanhã e vice-versa. Eu já estou nessa vida há muitos anos e vejo com naturalidade. Agora, espero que haja, na campanha, o mínimo de respeito. Por conta de que participaram da gestão. O mínimo de respeito de quem foi respeitado por mim e pela equipe.

Os pré-candidatos do PMDB (Mário Kertész) e do PSDB (Antônio Imbassahy) já teceram severas críticas contra o senhor. Até mesmo o PT, não por seu candidato, mas vereadores como o ex-secretário de Governo, Gilmar Santiago, não o poupa.

Pois é, e os cargos que ele (Santiago) ocupou aqui com certeza ajudaram para ele ser vereador. Não só ele como outros vereadores, de vários partidos. Os cargos que eles ocuparam aqui deram um empurrãozinho.

Algum desses pré-candidatos já tentou conversar contigo em busca de apoio?

Não, porque nosso partido tem candidato, que é João Leão. Desde o início do ano que ele já vinha com a perspectiva da candidatura e sabiam que eu ia partir com João Leão.

Desde a sua reeleição, o senhor tem uma proximidade com o deputado federal ACM Neto (DEM), mas também já manifestou manter uma relação cordial com o governador Jaques Wagner. Com qual o senhor considera ter maior proximidade?

Com os dois. Agora há de se lembrar também dos que colaboram mais com a gestão, aqueles que fazem críticas mais construtivas. E o decorrer da pré-campanha está sendo considerado por nós. Em uma hipótese de João Leão não ir para o segundo turno, então a gente vai ter que avaliar como foi o primeiro turno, quem teve uma postura mais correta com a administração, quem fez críticas mais construtivas, quem não baixou muito o nível, então tudo isso vai ser levado em conta para um eventual apoio.

Prefeitura e estado tiveram um desentendimento público nesta semana, com as opiniões divergentes quanto à inauguração do metrô. O governador defende a inauguração da Linha 1 junto com a Linha 2, mas a prefeitura bate o pé em fazer andar neste ano. Já se fala de motivações políticas na disputa pela inauguração…

Será que está tendo (motivações políticas)? Eu nem sei responder. Tem a burocracia, tem a parte do governo Dilma não querer abrir muito as torneiras, eles estão vivendo contingenciamento forte. Mas, se tratando de ano eleitoral, a gente fica com a pulga atrás da orelha. Será que não há também algum interesse político-partidário por trás desse veto, dessa postura contrária a colocar a primeira parte do metrô para rodar? Espero que não.

Em 2011, o senhor chegou a se emocionar ao falar da admiração que tinha por Jaques Wagner, e disse que daria para ele a “primazia” nas conversas sobre sucessão. Houve conversa?
O governador está enfrentando tantos problemas na sua gestão. Eu estou vendo aí greve de professores, problemas na saúde, a seca, a própria segurança pública. E eu tenho meus problemas, hoje, graças a Deus, com o funcionalismo eu não tenho problemas, mas tem as chuvas, e já estamos montando um gabinete de emergência. Estamos com a agenda carregada, não conversamos ainda sobre política este ano.

Qual foi o dia mais feliz de sua gestão?

Vai chegar. Vai ser o dia em que a gente botar o metrô para rodar. Deve ser agora em julho.

E qual o maior equívoco?

Não diria o maior equívoco, mas o dia mais triste foi no que eu obedeci a ordem do juiz federal de demolir 500 barracas de praia. Foi um dia de luto. Foram muitas famílias que viviam daquilo. A ordem veio acompanhada da de prisão do prefeito, caso fosse descumprida.

Durante a gestão, o senhor sempre teve maioria na Câmara de Vereadores, mas agora pode ter reprovadas as suas contas de 2010. Seria ingratidão?

Do ponto de vista deles, não vão ver isso como ingratidão. Agora, do meu ponto de vista, de quem ajudou muito eles, e se alguns desses que foram bastante ajudados nesses oitos anos se voltarem contra a gestão, eu diria que, do meu ponto de vista, sim, seria ingratidão. Agora é cedo para falar. Essas contas não serão votadas tão cedo, e caso sejam reprovadas não trarão a inelegibilidade, porque não houve dolo, não houve improbidade, não houve má-fé. O próprio TCM disse isso. E a lei da inelegibilidade diz que só fica inelegível quando há improbidade com dolo e má-fé.

O presidente do TCM, o conselheiro Paulo Maracajá, pensa o contrário. Segundo ele, o senhor pode sim se enquadrar na lei da Ficha Limpa, porque os erros foram reincidentes…
Se gerar alguma discussão em nível de Justiça, iremos para a Justiça discutir. Mas a consciência tranquila e a experiência de Celso Castro (advogado) já nos apontam a certeza de que os que estão com medo de me enfrentar nas urnas em 2014 podem botar as barbas de molho, podem ficar com medo sim, porque, com certeza, vamos estar disputando. Será que esta campanha toda pela rejeição das contas, para ficar inelegível, não seria medo? Tenho todos os motivos para acreditar que tem muita gente aí com medo de enfrentar João Henrique em 2014, e talvez me deixar inelegível seja a saída.

Já que falamos de 2014, o que falta para definir sua candidatura ao governo do estado?
Não falta nada, já está definida. As pesquisas estão chamando. Eu já tive acesso a três, feitas por diversos partidos diferentes, e em todas meu nome está muito bem colocado. Esse microclima, essa pressão, esse desgaste provocado aqui em Salvador, isso não contamina o interior. É um microdesgaste artificial, é uma barra forçada, há campanhas em Salvador de diversos segmentos para que eu saia do cenário político da Bahia, tudo isso cria microdesgastes que não contaminam o interior, nem a Salvador que eu trabalhei, 80% da população, do Subúrbio, dos bairros populares. A avaliação de quem usa o posto de saúde, a escola pública, de quem usa os serviços públicos é uma. De quem não usa é outra. E são muito antagônicas. A avaliação das elites dominantes da cidade, com certeza, é negativa. Ao contrário dos que usam os serviços, que avaliam positivamente. A iluminação e a limpeza nos bairros populares são muito bem avaliadas. Agora, quem não usa os serviços da prefeitura não tem condições de avaliar. Esses é que avaliam mal a minha gestão. Interessante. Curioso.

O que pretende fazer entre o início de 2013, quando deixar o cargo, e a campanha de 2014?
Vou viajar muito pelo interior e trabalhar com comunicação. Estamos estudando de que forma a gente pode ter um blog, um site, e também rádio e televisão, que nos atrai muito.

O senhor é radialista…

Sou, tirei a carteirinha. Estamos estudando esta possibilidade de fazer os três: rádio, TV e mundo digital. A experiência de quem ficou aqui por oito anos não pode ser desprezada. Você acumula o conhecimento dos problemas da cidade. Não me sinto no direito de me apropriar só para mim desta experiência.

Já que o senhor definiu que será candidato em 2014, acredita que o rompimento de seu casamento de forma polêmica  abalou a confiança do eleitorado evangélico?

Não, eu conheço muitas pessoas evangélicas que também tiveram os seus casamentos terminados. Não tem nada a ver, são coisas separadas. Uma coisa é a fé que você processa, outra é a relação a dois.

O senhor se considera hoje uma pessoa mais feliz?

Muito mais feliz, vivendo uma nova fase de vida, graças a Deus, apaixonado e feliz. Vivendo com a Tatiana e com os filhinhos dela, visitando meus filhos, que são mais velhos. Um tem 28 e outro tem 23 anos. E os meninos de Tatiana, a menina tem 7, Duda, e o filho, Cidinho, tem 10. Os meus filhos são criados, já são praticamente homens, então agora estamos com Duda e Cidinho.

Pretende casar novamente?

Eu já coloquei a aliança no dedo. Está aqui ó, com o nome dela. “João e Tati”, está vendo? Isso aqui é um compromisso, sério, de viver juntos, como se fosse uma vida de casamento.

E a declaração do amor que vocês trocaram no Carnaval, a tatuagem no braço, gostou? Pensa em fazer outra?

Eu gostei muito, mas foi uma tatuagem de henna, só durou o Carnaval. Mas ontem mesmo eu estava pensando em tatuá-la novamente. O nome dela é bonito, não é? Tatiana Paraíso. E ela é uma pessoa muito doce. Então eu tenho muito prazer e satisfação de ter o nome dela no meu braço.

Permanentemente?
No cargo que eu ocupo hoje, acho que é melhor de henna.

Ela agora é secretária de Saúde do município. Ela tem pretensão de seguir carreira política?
Ela não pretende entrar na política. Ela é cardiologista e adora a especialização dela. Ela atende no Hospital Anna Nery duas vezes na semana. E médico não tem hora para trabalhar, está à disposição de seus pacientes 24 horas por dia. Como fez um curso recente de gestão na saúde pública, vai se dar muito bem no cargo de secretária, mas carreira política não.

O senhor já reclamou do movimento Desocupa Salvador. Falou do tom pejorativo das críticas. Teme que esta imagem gerada nas redes sociais se sobreponha aos benefícios que enxerga na gestão?

Ao contrário. O tempo tem sido justo com os governantes. João Durval, quando saiu do governo, foi apedrejado. Alguns anos depois, se candidata ao governo do estado, foi para o segundo turno com Paulo Souto. Depois se candidatou de novo, foi bem votado, mas perdeu para César Borges. Depois se candidatou a senador e teve o maior número de votos que um senador teve na história da Bahia. Hoje é referência para o funcionalismo, em geral. Os interioranos todos reconhecem João Durval como um excelente governador. Mas naquele contexto, de mudança de ditadura para democracia, quando ele saiu em 1986, praticamente o crucificaram. E Lídice da Mata? Lembra da gestão dela e como ela saiu? Hoje está aí, bem nas pesquisas, na frente do candidato do PT. E é senadora. É uma roda-gigante. O tempo é o melhor remédio para tudo. Então, tenho certeza que esses 120% de aumento que dei para os professores e os funcionários da saúde nesses sete anos vão ser mais reconhecidos ainda quando eu tiver fora do poder. As 600 praças que construímos, o tratamento igualitário da cidade rica com a pobre, os novos trens do Subúrbio, tudo que já é reconhecido vai ser mais reconhecido quando sentirem saudade de mim.

Da “elite financeira” de Salvador, que o senhor cita como quem avalia mal seu governo, a principal reclamação é com a mobilidade urbana. É um problema que atinge a todos e só fez piorar nos últimos dez anos. Por que só piorou?

Houve a melhoria do poder aquisitivo. O presidente Lula tirou 40 milhões de pessoas da pobreza para a classe média. Agora tem consequências boas e ruins. Uma delas é o excesso de veículos. As ruas e as avenidas são as mesmas, mas vende-se por mês em Salvador em torno de 5 mil carros.

Não deveria ter sido planejada a construção de novas ruas e avenidas, então?

E o recurso para a infraestrutura? Uma prefeitura como a nossa não tem capacidade de investimento. São R$ 18 milhões que são sequestrados na fonte em Brasília, de dívidas de meus antecessores. E investimentos em mobilidade, como os do ‘Salvador: Capital Mundial’ são altos. Tem projetos como a Linha Viva e a Avenida Atlântica, que serão paralelas à Avenida Paralela. Agora é preciso também acabar com a hipocrisia. São 2,7 milhões de habitantes. Tem uma média de 10 mil habitantes por km². É a maior densidade demográfica do Brasil. A capital paulista tem 7,5 mil habitantes por km². Aqui optou-se agora por metrô na Paralela. Nós sugerimos o BRT, que é cinco vezes mais barato e levaria a mesma quantidade de pessoas, com o mesmo conforto, no mesmo espaço de tempo. Optou-se pelo metrô, uma obra que se arrasta lentamente. Na Avenida Vasco da Gama estamos fechando o canteiro central para colocar faixas segregadas para ônibus. Estamos fazendo também licitação do transporte coletivo, depois de 50 anos. Vamos exigir novos ônibus, climatizados, com som ambiente e cadeira para todos irem sentados. Faixas e corredores exclusivos é uma prioridade nossa.

Boa parte do desgaste que o senhor acumulou com o metrô se deveu aos prazos que não foram cumpridos. Em 2008, antes da eleição, o senhor falava que até o fim daquele ano inauguraria. Acreditava mesmo nisso?

Todas as vezes que demos prazos, acreditávamos naqueles prazos. Agora, é uma obra que sofre interferências federais, estaduais e de órgãos de controle externo. É difícil você dar prazos hoje no Brasil, nessa fase da reabertura democrática, onde muitas coisas estão sem limites. O Ministério Público não tem limites. O Tribunal de Contas da União me obrigou a ir inúmeras vezes a Brasília. A União decidiu então dividir a primeira etapa de 12 para 6 quilômetros, porque viu que seria impossível inaugurar diante de tanto problema. O Metrô de São Paulo foi inaugurado em 1964 com seis quilômetros, o do Rio de Janeiro em 1969 foi 4,5 quilômetros. Metrô é assim, obra cara, pesada, lenta, que vai sendo inaugurada aos poucos.

Não corre o risco de o metrô começar a rodar e ter de parar por falta de subsídios?
Para a população pagar R$ 0,50 nos trens do subúrbio, a prefeitura bota todo mês cerca de R$ 1,5 milhão. Então cabe ao governo federal segurar esse subsídio sim, até que a segunda etapa seja inaugurada, e aí a iniciativa privada sinta o projeto atraente, e concorra para administrá-lo. Ainda assim, mesmo com a iniciativa privada operando, quando tiver muito mais que seis quilômetros, eu não tenho certeza de que não precisará de subsídio. Todos os metrôs do mundo têm subsídio.

Após a derrubada das barracas, a orla marítima ainda vive sem perspectiva. É o principal desafio do próximo gestor?

João Durval inaugurou em 1984 a orla do Jardim de Alá até Itapuã. Foi um grande desafio à época, para a cidade, mas quem fez foi o governo do estado. Para uma prefeitura, é muito difícil. Não tem dinheiro. A orla de Salvador começa em Inema, vai até o Farol da Barra, e depois termina em Aleluia. Não é investimento para a prefeitura. O que nós estamos tentando fazer é reposicionar na orla algumas barracas em um padrão moderno, higiênico, com barracas ligadas legalmente à rede de energia elétrica, à rede de água e drenagem, sem aqueles históricos gatos, sem aquela coisa improvisada, sem fossas sépticas. Esse projeto encontra-se na Justiça Federal com o juiz Carlos D’Ávila, e esperamos que ele e a comissão de notáveis que ele montou nos autorize para nós reposicionarmos as barracas como a União quer.

O senhor tentou estabelecer os decretos de carga e descarga, 15 minutos nos bancos, obrigatoriedade do empacotador, o que proíbe o xixi na rua, mas nenhum desses pegou. Por quê?

Tudo derrubado na Justiça. Temos uma cultura muito forte da informalidade, que não quer obedecer regras, padrões legais de comportamento. Busca-se a permanência da cultura da informalidade, que é fazer o xixi na rua, é parar o caminhão da cervejaria em qualquer lugar e qualquer hora do dia, fazendo quilômetros de engarrafamento, enfim. Esta cultura da informalidade que leva nossa cidade a uma bagunça social.

Mas não cabe justamente ao poder público colocar a ordem?

Mas você vê que essa cultura da informalidade tem apoio às vezes até da Justiça. Derrubaram regras que colocamos, como o de carga e descarga.


Mas, em outras capitais, essas medidas funcionam. No Rio, quem for flagrado fazendo xixi na rua vai preso, e em São Paulo a carga e descarga é regulada…

Cada cidade tem características próprias. Eu diria que nossa cidade é linda, é bela, o povo é hospitaleiro, é feliz, é alegre. Em São Paulo, você não vai achar um povo alegre, hospitaleiro, feliz, como o de Salvador.

Fonte: Correio

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