Polícia

Sul da Bahia: PF reforça efetivo em áreas onde índios invadiram fazendas

Os pataxós reivindicam 54 mil hectares nessa região que seriam área de reserva indígena. O delegado da Polícia Federal em Ilhéus, Rodrigo Reis, informou que 30 agentes do Comando de Operações Táticas (COT) já estão se deslocando para os municípios.

Ele disse que esses policiais ficarão baseados em Pau Brasil e farão uma análise dos conflitos para saber se há necessidade de envio de mais agentes. Segundo ele, a PF, a Polícia Militar e a Polícia Civil da Bahia estão com efetivo nos três municípios há 15 dias.

“A situação não está com o teor de gravidade que estão passando. Todo e qualquer crime na região estão sendo computados como conflito de terra. Estamos com cautela e fazendo uma triagem [do que é crime comum e os que têm ligação com disputa de terras]”, destacou o delegado.

Ele ressaltou que “tudo será investigado e nada ficará sem análise”. Os municípios de Pau Brasil, Camacan e Itaju do Colônia ficam a cerca de 150 quilômetros de Ilhéus.

Funcionário morto e índio baleado

Na tarde de sexta-feira (20), Júlio César Passos Silva, 32 anos, funcionário da fazenda Santa Rita, que fica na zona de conflito, foi morto com um tiro na cabeça durante um tiroteio. Um índio também foi baleado na perna no confronto.

O corpo do funcionário só foi encontrado por volta das 14h de sábado (21), quando agentes da Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Civil estiveram na região onde teria ocorrido o tiroteio.

Já o índio Ivanildo dos Santos, baleado na perna, foi socorrido por outros índios da tribo pataxó hã-hã-hãe e encaminhada para o Hospital de Base, também em Itabuna.

Equipe da Folha de S. Paulo ameaçada

Também na sexta-feira, o repórter fotográfico da Folha de S. Paulo Joel Silva, de 46 anos, e o motorista Igor Correia, de 25, foram ameaçados por dois grupos de homens fortemente armados na zona rural de Pau Brasil.

Sem olhar para o grupo, obedecendo a ordem dos homens armados, o fotógrafo e o motorista foram perguntados sobre a razão pela qual estavam na cidade e depois de sete minutos foram liberados, sob a ameaça de serem baleados caso olhassem e identificassem os agressores. Antes, o grupo inspecionou o equipamento fotográfico e guardou no porta-malas do carro.

Segundo o policial civil Sagro Bonfim, a equipe da Folha estava em um carro de locadora, sem plotagem do jornal, dentro de uma área ocupada pelos índios, o que pode ter gerado a desconfiança dos supostos seguranças. “É uma área de conflito e eles não estavam acompanhados pela Polícia Federal, correram risco de vida”, relatou o policial.

Em reportagem publicada na sexta (20), a Folha de S. Paulo denunciou a presença de homens fortemente armados na segurança da fazenda Santa Rita, pertencente ao ex-prefeito de Pau Brasil Durval Santana. A polícia civil não confirmou se as ameaças sofridas pela equipe da Folha na cidade tem relação com a reportagem publicada no jornal.

Disputa

As invasões são estratégia dos índios pataxós para garantir a posse da terra uma vez que aguardam julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de ação de 1982 para retirada dos fazendeiros que ocupam terras que os índios consideram como parte de reserva indígena. Informações e foto da Agência Brasil.

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