
Em cartaz desde a última quinta-feira em 297 salas de cinema do país, o longa Légua Tirana apresenta um retrato poético da infância de Luiz Gonzaga, o eterno Rei do Baião.
Mais do que uma cinebiografia, o filme conduz o espectador a uma imersão em memórias, sons, cores e paisagens que moldaram a sensibilidade do menino Gonzaga, transformando-o no artista que revolucionou a música popular brasileira. Cada cena é um convite ao olhar contemplativo: a fotografia, a música, os ritmos e até a própria natureza se entrelaçam como versos de um poema.
A construção de um destino musical.
“Escute a música da vida, Luiz. Escute a voz do vento… a natureza canta”, diz uma das passagens simbólicas que sintetizam a formação do pequeno Lua. Entre rezadeiras, romeiros, cegos de feira e retirantes, ele absorveu o essencial para criar a matriz sonora que daria origem ao baião. “Queria cantar meu povo. Fui chamado de Rei e trouxe o sertão para o litoral”, resume a força da trajetória do sanfoneiro.
Elenco e produção
O filme traz Kayro Oliveira, Wellington Lugo, Chambinho do Acordeon e Joquinha Gonzaga, interpretando Luiz Gonzaga nas fases de infância, juventude, vida adulta e momento de encantamento. Para Chambinho, este é o segundo encontro com o personagem nos cinemas, após viver o Rei do Baião em Gonzaga: de Pai pra Filho (2012).
O elenco ainda conta com interpretações marcantes de Luiz Carlos Vasconcelos, Cláudia Ohana, Tonico Pereira, Ivanildo Gomes e o mestre Bule Bule. A direção é assinada por Diogo Fontes e Marcos Carvalho — cineasta serratalhadense já reconhecido pelo premiado “Na Quadrada das Águas Perdidas”, protagonizado por Matheus Nachtergaele.
As filmagens aconteceram em cenários da Chapada do Araripe, região que serviu de inspiração direta para a obra.
O sertão como berço da cultura brasileira
Foi em Exu, sua terra natal, que Luiz Gonzaga cresceu ao lado do pai, Januário, tocador de oito baixos, e da mãe, Dona Santana. Desde cedo, aprendeu a ouvir o canto da natureza e a transformar o sertão em música universal.
Para Marcos Carvalho, Légua Tirana é mais que um retrato biográfico: “O filme é inspirado em fatos da vida de Gonzaga, mas poeticamente baseado em sua obra. É um mergulho em sabedorias populares, na poesia sertaneja e na força criativa do Nordeste. Luiz Gonzaga – Légua Tirana é o nosso apoio cinematográfico em honra e louvor a nosso eterno Rei do Baião”, afirma o diretor.
Um presente para o Brasil
Légua Tirana não apenas celebra Luiz Gonzaga, mas também reafirma a vitalidade da cultura nordestina. Mais do que revisitar a história de um ícone, o filme resgata a alma coletiva de um povo e a transforma em cinema, poesia e música.
Ascom légua Tirana