Com a entrada na escola, também podem aparecer dificuldades de interação com colegas, resistência a mudanças de rotina e episódios de desregulação emocional, muitas vezes interpretados apenas como birras.
No entanto, em meninas com inteligência preservada e maior capacidade de adaptação social, esses sinais costumam ser mais discretos, o que contribui para atrasos na identificação do transtorno.

“Essa menina frequentemente consegue engajar em brincadeiras funcionais, copiar o comportamento de outras crianças e participar do faz de conta. Embora uma observação técnica mais detalhada possa revelar uma rigidez ou menor criatividade e espontaneidade no brincar simbólico, a capacidade dela de se integrar inicialmente mascara a condição”, explicou.
O foco central na identificação precoce, idealmente nos primeiros anos de vida, justifica-se pelo aproveitamento máximo da neuroplasticidade cerebral, que é a capacidade natural do sistema nervoso de se reorganizar, modificar suas conexões e criar novas vias neurais em resposta a estímulos, experiências e aprendizados.
“Como o cérebro infantil possui um grau muito elevado de plasticidade, este é o período em que as intervenções multidisciplinares, envolvendo fonoaudiologia, psicologia e psicomotricidade, geram os resultados mais estruturais e duradouros”, explicou.
Estimular a criança nessa fase permite otimizar o funcionamento cerebral e o desenvolvimento de habilidades compensatórias, tornando a observação atenta desde a primeira infância o pilar fundamental para o direcionamento a essas terapias.
Por Correio



