Polícia

Número de mortos em acidentes com moto cresce 95% no estado da Bahia

O carro que vinha atrás dele, porém, não parou. Com o impacto da colisão, o corpo do advogado foi arremessado e a moto ficou imprensada entre dois veículos.

O drama de Naim faz parte de um quadro de acidentes envolvendo motocicletas que tem aumentando nos últimos quatro anos. Muitas vezes termina de forma trágica. Segundo levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde na sexta-feira, o número de mortes na Bahia quase dobrou em três anos: 521 mortes de motociclistas em 2010 contra 267 em 2008, um aumento de 95% – quase cinco vezes maior do que o registrado em todo o país no mesmo período.

“Fraturei oito costelas, perfurei o pulmão, tive hemorragia interna, três lesões na coluna e fiquei em coma por 17 dias”, diz o advogado, que chegou a ficar quatro meses sem andar e perdeu o movimento do braço direito.

Ainda segundo o levantamento, o número de internações pagas pelo SUS decorrentes desse tipo de acidente em todo o estado saltou de 1.800 casos em 2008 para 4.191 em 2011. Esse aumento –  de 133% – gerou no ano passado um gasto para os cofres públicos de R$ 2.342.919,38 a mais que em 2008.

Capital

Já em Salvador, segundo estimativa da Transalvador, a cada dez acidentes de trânsito, sete tem motocicletas envolvidas. Segundo o diretor de trânsito do órgão, Renato Araújo, as vítimas geralmente são homens entre 18 a 29 anos e que usam motocicletas de até 125 cilindradas. “Já chegou ao ponto de a gente ter acidente de motocicleta com motocicleta”, diz.

O auxiliar de serviços gerais, Adriano Souza já se acidentou duas vezes. Na primeira, em 2007, um carro colidiu com sua motocicleta. Ele perdeu o movimento do pé esquerdo. Na segunda vez, em março deste ano, um assaltante que estava em um carro roubado e fugia da polícia veio na contramão, próximo à entrada de Itinga, e colidiu de frente com a moto. Ele fraturou o fêmur e a tíbia do pé esquerdo.

Hoje, ele está impossibilitado de trabalhar e anda com auxílio de muletas; faz fisioterapia duas vezes por semana e pelo menos uma vez por mês tem que fazer revisão no Hospital do Subúrbio. “Fiquei um mês e meio de cadeira de rodas. A previsão para eu estar realmente recuperado é de no mínimo seis meses. Dependo da ajuda de amigos. Agora vou parar com esse negócio de moto. Já chega”, desabafa.

Naim pensa um pouco diferente. “Adoro moto. É uma verdadeira paixão. Mas, ainda não voltei a andar. Psicologicamente,  não estou pronto. Só daqui a seis meses ou um ano”, diz o advogado, que apesar de tudo comemora: “A previsão era que eu ficasse no hospital por dois anos e tinha o risco de ficar paraplégico”.

Causas

Para o professor da Escola Politécnica da Ufba e especialista em trânsito e transporte, Elmo Felzemburg, o primeiro aspecto a ser considerado é o aumento no número de motocicletas. “Os dados são alarmantes porque são vidas perdidas e as internações refletem nos custos da saúde pública. A maioria dos jovens não tem condições de comprar um carro e o nosso sistema de transporte público é tão deficiente que faz com que os cidadãos procurem alternativas”, destaca.

O professor destaca ainda a fragilidade das motocicletas. “O parachoque do motociclista é ele próprio”, diz. O coordenador do curso de Fisioterapia da Unime, Paulo Henrique Oliveira, concorda. “O piloto de moto está muito exposto. Quando ele cai, pode lesionar as pernas, braços, coluna e cabeça”, diz.

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em sete anos houve um crescimento na Bahia de 185% no número de motos cadastradas no órgão – de 303.126 em 2005 para  865.565 este ano. Em Salvador, esse aumento foi de 40.089 para 96.291 (140%) no mesmo período. Informações do Correio.

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