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Riachão: Oposição consegue união parcial, faz festa, mas reação das ruas cabe reflexão

Na última sexta-feira (14) o ex-prefeito Zé Filho (PSD) comemorou com muitos fogos a união parcial em torno do seu nome na sua tentativa de voltar ao comando do município de Riachão do Jacuipe nas eleições de outubro. Contudo, apesar de alguns oposicionistas não admitirem, a união não parece ter sido bem digerida pela população.

As comemorações aconteceram em três pontos da cidade: na residência do ex-prefeito Zé Filho, que fica em frente ao Hospital Bom Samaritano, e nas residências do ex-vereador Lucas Wiliam (que até então estava como pré-candidato pelo PCdoB, lançado dias antes) e do ex-prefeito Lauro Falcão (PSB).

Pelo acordo anunciado, Lucas Wiliam havia retirado a sua pré-candidatura e passaria a apoiar o nome de Zé Filho na eleição de outubro, o mesmo acontecendo com o ex-prefeito Lauro Falcão, que, impedido de ser candidato pela justiça, também passaria a apoiar o nome do pré-candidato do PSD.

A união entre os três nomes oposicionistas teoricamente representaria uma força considerável para enfrentar o prefeito Carlos Matos nas urnas se não fosse o imbróglio político que ela causou e a reprovação imediata vinda das ruas. “Com essa união, Lucas acabou de se liquidar politicamente. Ele mais nunca vai conseguir ter a confiança para se candidatar. Isso foi como uma traição com os seus eleitores”, disse um aliado que pediu anonimato.

Sobre o ex-prefeito Lauro Falcão, as reações não foram diferentes. “Isso já era esperado, na eleição passada ele fez a mesma coisa, por isso, agora, o eleitor já estava desconfiado que ele iria se unir a Zé Filho novamente”, disse um morador da cidade, reprovando a decisão e também pedindo para não ser identificado.

“Unir não é nada demais, os partidos podem se coligar, o problema é que a gente sabe que por traz disso tem muito mais interesse pessoal do que interesse para o município”, acrescentou a fonte.

Além da reação das ruas, o pré-candidato do MDB, Esaú Silva, também se sentiu traído por Lucas William e por conta disso publicou um vídeo nas redes sociais demonstrando a sua insatisfação, embora ele próprio tivesse aberto conversas com Lauro Falcão. “Eu e Lucas tínhamos um acordo, e ele não cumpriu… Quando ele recebeu a pesquisa na mesa, que viu ‘apanhando’ pra mim, correu. Eu não vou entrar em negociata financeira…”, publicou o emedebista.

Namoro e reuniões

Durante a semana, as notícias sobre uma possível união da oposição circularam pelas ruas da cidade e as versões eram as mais variadas. Na quarta-feira (12), havia uma especulação de que o ex-prefeito Lauro Falcão estaria se unindo com o pré-candidato Esaú Silva, e que a sua esposa Gabriela seria indicada vice. Essa especulação ganhou força principalmente depois que um aliado do pré-candidato do MDB trocou “gentilezas” com emissários do ex-gestor.

Na quinta-feira (13), a notícia que circulava com força na cidade era a união entre Lucas William e Zé Filho, que passariam a formar uma chapa para disputar a eleição de outubro próximo. Mas, na sexta-feira (14), já no final da tarde, depois de intensas reuniões, passou a circular a notícia que Zé Filho havia fechado o pacote com Lauro Falcão e Lucas William, este mantido como vice.

Após o acordo ser selado, um intenso foguetório explodiu na cidade, inclusive na frente do Hospital Bom Samaritano, causando incômodo aos pacientes que ali estavam internados.

Soma e reações

Sem dúvida, o acordo dos dois nomes em torno da pré-candidatura de Zé Filho não tem como não agregar politicamente. À primeira vista, todos os pré-candidatos do PSB, que é comandado por Lauro Falcão, passariam a apoiar o palanque do pessedista, embora alguns embaraços terão que ser contornados, uns com muita dificuldade e outros não se sabe se chegarão a um bom termo.

Segundo analistas de plantão, essa dificuldade de arrumação maior seria no Distrito de Barreiros, onde alguns aliados de Zé Filho não se “bicam”, e também no distrito de Chapada e na sede do município, onde algumas pré-candidaturas à Câmara Municipal poderão ser sacrificadas.

Contudo, mesmo que venha a contornar todas essas rugas no seu palanque, o ex-prefeito não contava com a reação vinda das ruas. “Eu acho que essa aliança pode até somar pra ele, mas vejo muita dificuldade também”, avaliou um eleitor. “Não vou votar, não vou seguir esse acordo deles, até porque eles não consultaram o povo”, reagiu um aliado de Lucas Wiliam.

De fato, segundo alguns relatos chegados à nossa redação, eleitores históricos do ex-prefeito Lauro Falcão e de Lucas Wiliam não aprovaram a união e já procuram outro caminho, que pode ser tanto o prefeito Carlos Matos quanto o emedebista Esaú Silva.

Da redação (Fotos: redes sociais e CN)

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